Iraquianos fogem de vilas atacadas por sunitas

Centenas de iraquianos, que fugiram de suas vilas em razão do avanço dos militantes sunitas, lotavam nesta quinta-feira um posto de verificação na fronteira com o território controlado pelos curdos em busca de abrigo e segurança. O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, chegou a Bagdá também nesta quinta-feira com o objetivo de pedir aos líderes iraquianos que se unam contra a ameaça insurgente.

Agência Estado

26 de junho de 2014 | 09h37

A chegada de Hague segue-se a uma visita feita pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, à capital iraquiana. No início desta semana, Kerry fez o mesmo pedido aos líderes do Iraque e advertiu que Washington está preparado para adotar uma ação militar, mesmo se Bagdá adiar suas reformas políticas.

A intensidade das discussões diplomáticas destaca a crescente preocupação internacional sobre as conquistas dos combatentes liderados pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), o grupo extremista sunita que tomou grandes partes do território do norte do Iraque e que quer criar um enclave islâmico que abrange os dois lados da fronteira entre Síria e Iraque.

Hague disse que o grupo é uma "ameaça mortal" para o Iraque e também para outros países da região, segundo comunicado divulgado por seu escritório. Ele deveria se reunir com o primeiro-ministro Nouri Al-Maliki, com o presidente regional de Curdistão Masoud Barzani e com outros políticos ainda nesta quinta-feira.

"A prioridade imediata, e o foco das minhas discussões hoje, é ajudar e encorajar os líderes iraquianos a colocarem de lado os conflitos sectários para se unirem, independentemente dos partidos políticos", disse ele. O Reino Unido descartou a realização de uma intervenção militar no Iraque, mas Hague disse que fornecerá "apoio diplomático, de contraterrorismo e humanitário".

Uma ofensiva de artilharia insurgente contra vilas cristãs no norte do Iraque na quarta-feira fez com que milhares de cristãos deixassem suas casas e buscassem abrigo no enclave curdo. O bombardeio de um conjunto de vilas aconteceu num área conhecida como Hamdaniya, 75 quilômetros da fronteira da região curda autônoma.

Embora muitos tenham conseguido acesso até o amanhecer, centenas de refugiados xiitas ainda esperavam permissão para entrar pois não havia quem os abrigasse no local.

A agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) disse na semana passada que o número de pessoas que tiveram de deixar suas casas neste ano no Iraque era estimado em 1 milhão.

Autoridades norte-americanas e iraquianas confirmaram na quarta-feira que aviões sírios bombardearam posições de militantes sunitas no interior do Iraque, aprofundando os temores de que a insurgência, que abrange os dois países vizinhos, possa se transformar num conflito regional ainda maior. O secretário de Estado norte-americano advertiu a respeito da ameaça e disse que outros países devem ficar de fora do conflito.

Os demais vizinhos do Iraque - Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Turquia - estão aumentando os voos em seus territórios para monitorar a situação, informou uma autoridade iraquiana, que falou em condição de anonimato.

"Deixamos claro a todos na região que não precisamos de qualquer atitude que possa exacerbar as divisões sectárias que já estão bastante altas", disse Kerry durante reunião de diplomatas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Bruxelas. Fonte: Associated Press.

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