Iraquianos furiosos enterram vítimas de ataque dos EUA

Furiosos moradores de uma vila ao norte de Bagdá disparavam tiros para o ar e clamavam "Deus é o maior" enquanto enterravam as vítimas de um ataque aéreo dos Estados Unidos condenado pelos líderes sunitas do país como um massacre.Carros-bomba explodiram em cidades ao norte e sul da capital, matando 10 pessoas e ferindo muitos mais, enquanto em Washington o presidente norte-americano George W. Bush pedia aos republicanos e democratas para que trabalhem juntos em uma nova estratégia para o Iraque."Agora é a responsabilidade de todos nós em Washington, tanto republicanos quanto democratas, de nos unir e encontrar um consenso sobre o melhor caminho a seguir", disse Bush em seu pronunciamento semanal pelo rádio.Seu pedido por união ocorreu depois da divulgação, esta semana, por um comitê bi-partidário, de recomendações que descrevem a situação no Iraque como "grave e se deteriorando", e pedem que Washington dê início a um esforço regional diplomático, além de aprimorar o treinamento das unidades militares iraquianas.As Forças Armadas dos EUA disseram que o ataque aéreo contra a vila de Jalameda, próxima a Ishaqi (90 km a norte de Bagdá) na sexta-feira visava atingir militantes da Al Qaeda que combatiam contra soldados. Os militares norte-americanos disseram que 18 homens e duas mulheres foram mortos.Autoridades locais em Jalameda disseram que houve 17 vítimas, entre elas seis mulheres e cinco crianças. Parentes mostraram os corpos das crianças a jornalistas.Centenas de moradores de Jalameda, uma vila predominantemente sunita, marcharam por Ishaqi no sábado, disparando tiros e carregando cartazes com os dizeres: "O povo de Ishaqi condena o assassinato em massa pelas forças de ocupação".Os corpos, envoltos em tecido branco, foram colocados em fileiras no chão, enquanto se realizavam orações. Depois, os corpos foram enterrados."Pedimos aos americanos para que sejam misericordiosos. Eles matam civis alegando que são terroristas. Ishaqi é uma catástrofe", disse Adnan al-Dulaimi, líder do maior bloco sunita do Parlamento.Os incidentes violentos continuaram quando um carro-bomba matou sete pessoas e feriu 44 em um mercado movimentado na cidade sagrada xiita de Kerbala, no sábado, disseram fontes de hospitais. Fontes militares dos EUA também confirmaram as mortes de dois fuzileiros navais na província de Anbar, centro das forças rebeldes sunitas.

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