Iraquianos nos EUA festejam morte de Saddam Hussein

Centenas de iraquianos residentes em diferentes cidades dos Estados Unidos festejaram a execução do ex-presidente Saddam Hussein, enforcado em Bagdá após um julgamento por crimes contra a humanidade.Grupos de iraquianos, em um tradicional gesto de alegria, dispararam balas para o ar e dançaram nas proximidades de mesquitas em Nova York, Boston, Los Angeles, Detroit e Michigan.Imagens de televisão mostraram jovens comemorando. Alguns se identificaram como filhos de iraquianos perseguidos ou mortos pelo regime de Saddam Hussein. As celebrações começaram assim que foi confirmada a execução do ex-ditador iraquiano."Morreu, morreu, morreu Saddam", cantavam iraquianos perto cerca do Centro Islâmico Karbalaa de Educação em Warren, Michigan."Não posso acreditar", disse Walid al Biraihy, de 20 anos, ao jornal "Detroit News". "Parece um sonho". Biraihy teve dois tios assassinados durante o regime de Saddam.Muhanad Hassan, de 24 anos e morador de Dearborn, disse que o regime do ex-ditador assassinou seu tio em 1991. Para ele, a execução "é uma vingança pela morte de tantos iraquianos inocentes".Em Dearborn, coração da grande comunidade árabe-americana de Detroit, desde as orações de sexta-feira os iraquianos começaram a se agrupar em torno das mesquitas, esperando notícias de Bagdá.O jornal afirmou que em toda essa comunidade há centenas de iraquianos, muçulmanos e cristãos com histórias de abusos, torturas e assassinatos de familiares pelo Governo de Hussein."A justiça foi feita", disse Jacoub Mansur, médico que nasceu no Iraque. "Saddam mereceu, pois governou com punhos de ferro e matou muita gente", acrescentou.O jornal "The Los Angeles Times", disse em seu editorial que "em outros tempos, a morte de Saddam Hussein teria sido um acontecimento crucial para o Iraque, o Oriente Médio e o mundo"."Agora, é de se duvidar que alguém em Bagdá se importe com isso", acrescentou o artigo. "Ninguém espera que a execução mude as coisas no Iraque".EsperançaRalph Ayar, de 55 anos e habitante de Michigan, lembrou o enforcamento de seu próprio pai, em 1963, na praça de Tel Keif. Ele foi executado por membros do Partido Baath de Saddam Hussein.Ayar disse esperar que a morte de Hussein trará novas esperanças a seu país, e acrescentou que "a longo prazo isto ajudará"."As coisas se acertarão", afirmou.Em Dearborn, a multidão feliz cantava: "Agora estamos em paz, Saddam está morto".No Iraque, os xiitas também comemoravam a morte do inimigo. Militantes celebraram hoje a morte de Saddam Hussein, que esperavam ansiosamente desde que o ditador foi deposto pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido em abril de 2003.Desde o início da manhã, os principais povoados do sul do Iraque e, principalmente, as cidades santas de Najaf e Kerbala, festejaram a notícia da morte de Saddam.Os bolos e os abraços, ritmados com os tambores e as trombetas, podiam ser ouvidos nesta manhã nas províncias de Basra e Diwaniya, confundidos com o soar das armas.Rajadas de disparos ao ar em sinal de alegria ecoaram em todas as cidades e bairros xiitas do Iraque, onde os habitantes saíram para dançar e cantar nas ruas, enquanto erguiam retratos de seus parentes mártires e dos clérigos mortos sob a ditadura.Em Bagdá, onde a população xiita se multiplicou desde a queda de Saddam, tiros puderam ser ouvidos em áreas xiitas como Al Kadhimiya e Madinat al-Sadr, bastião do chamado "Exército Mehdi", leal ao clérigo radical Muqatada al-Sadr, que também faz oposição à ocupação americana.Também foram verificados ataques durante as celebrações no bairro bagdali Hurriya, onde carros-bomba mataram várias pessoas.

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