Iraquianos protestam contra corrupção e falta de serviços em Bagdá

População pede reformas e se diz irritada com altos salários dos governantes

Agência Estado

14 de fevereiro de 2011 | 15h47

No dia de São Valentim, manifestantes levaram cartazes com corações. 

 

BAGDÁ - Centenas de iraquianos se reuniram nesta segunda-feira, 14, no centro de Bagdá para protestar contra a corrupção e a falta de serviços básicos, problemas enfrentados há anos no país. Os iraquianos têm expressado sua irritação com a falta de empregos e a precariedade de serviços governamentais em protestos de menor escala em todo o país.

 

As manifestações não são grandes como as que derrubaram os governantes de Tunísia e do Egito e que têm se espalhado para outros países, mas mesmo assim constrangem o primeiro-ministro Nouri al-Maliki e expõem os muitos desafios enfrentados por seu frágil governo.

 

"Nós queremos que reformas sejam feitas", disse Hanaa Adwar, ativista do grupo al Amal. "Nós testemunhamos a revolução popular realizada pelos tunisianos e egípcios que levaram à queda de seus regimes." Ela afirmou que haverá mais protestos se o governo não se curvar às exigências populares.

 

Apesar de terem algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, os iraquianos enfrentam problemas com o fornecimento de eletricidade. Eles também sofrem com a falta de água e com a falta de coleta de lixo. A população também está irritada com os altos salários de seus representantes eleitos quando comparados aos dos cidadãos comuns.

 

"Governo, vocês deveriam aprender a lição do Egito e da Tunísia", gritavam os manifestantes ao se dirigirem para o centro da cidade. As demonstrações no Iraque têm sido de pequena escala, embora os organizadores prometam uma manifestação bem maior para o próximo dia 25.

 

Os protestos fizeram com que al-Maliki se reunisse no domingo com outros integrantes do governo para discutir os problemas enfrentados pelos iraquianos. Em comunicado divulgado por seu escritório, o premiê disse que o governo está trabalhando para resolver as quedas do sistema elétrico e a questão do abastecimento de alimentos.

 

Todos os iraquianos têm o direito de receber uma espécie de cesta de alimentos, algo que acontece desde os dias em que o país estava sob sanções. Mas a população reclama que as cestas - que agora são entregues pelo governo - estão diminuindo e afirmam que isso ocorre por causa da corrupção governamental. "Estamos nos esforçando para resolver estes dois problemas, mas precisamos de tempo e a questão da eletricidade estará completamente resolvida em dois anos", disse al-Maliki. As informações são da Associated Press.

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