Iraquianos se preparam para grande protesto contra os EUA

Milhares de iraquianos se dirigiram para a cidade Santa de Najaf, no sul do Iraque, neste domingo, 8, atendendo à convocação feita pelo inflamado clérigo xiita Moqtada al-Sadr por um grande protesto contra os Estados Unidos nesta segunda-feira.Sadr, que atribui a incessante violência no país à invasão liderada pelos EUA, conclamou os iraquianos a protestarem no quarto aniversário do dia em que as forças norte-americanas entraram no centro de Bagdá."Para pôr fim à ocupação, vocês devem sair e se manifestar", disse em uma nota Sadr, que acusa as forças dos EUA de deliberadamente fomentarem a rivalidade civil no Iraque.Baixas norte-americanasQuatro soldados norte-americanos foram mortos em ataques ao sul de Bagdá neste domingo, enquanto outros dois morreram de ferimentos sofridos em operações realizadas no norte da capital, informaram os militares dos EUA.Com esses números, este foi um fim de semana com muitas baixas norte-americanas, depois da morte de quatro soldados em uma explosão ocorrida no último sábado, perto do veículo em que estavam, na província de Diyala, ao norte de Bagdá.Um carro-bomba matou 17 pessoas e feriu duas dúzias na cidade de Mahmudiya, ao sul de Bagdá, informaram fontes oficiais, no mais recente ataque ao redor de Bagdá desde que entrou em vigor um novo plano de segurança apoiado pelos EUA na capital. Um suicida dirigindo um carro-bomba também matou sete pessoas em Bagdá.Hostilidades civisSadr, que tem se mantido discreto, convocou a sua milícia, o Exército Mehdi, e as forças de segurança iraquianas a deter os combates na volátil cidade de Diwaniya e deixarem de fazer o jogo das forças dos EUA que, segundo ele, atiçam as hostilidades civis.Forças iraquianas e dos EUA entraram em combate com milicianos em Diwaniya desde o lançamento, na sexta-feira, de uma operação para tirar o controle dessa cidade sulista do Exército Mehdi. Segundo o Pentágono, a milícia é a maior ameaça à paz no Iraque.O brigadeiro Qassim Moussawi, porta-voz de uma operação de segurança norte-americana-iraquiana em Bagdá, disse que nesta segunda-feira entrará em vigor na capital uma proibição de veículos. "Haverá protestos para lembrar o quarto aniversário. Não queremos dar aos terroristas uma chance de usar essa oportunidade", disse Moussawi.O prefeito de Mahmudiya, Muaid al-Amiri, disse que o carro-bomba matou 17 pessoas na cidade, que fica 30 quilômetros ao sul de Bagdá. O alvo eram oficinas industriais e um prédio de três andares ficou quase todo destruído. Muitas construções menores foram arrasadas com a explosão."Três de nós e um jovem estávamos sentados em uma loja de peças sobressalente para carros quando houve uma enorme explosão. Escombros do telhado caíram sobre mim," disse um homem ferido que disse se chamar Sadeq e que estava em um leito de hospital na cidade.Lamento papalO que em grande parte começou como uma insurgência dos sunitas árabes contra as forças dos EUA e do Iraque depois da invasão do país, em 2003, desde então se transformou em um conflito sectário sangrento entre xiitas e os sunitas árabes, que já dominaram o país.Dezenas de milhares de iraquianos foram mortos só no último ano. Mais de 3.270 soldados norte-americanos foram mortos desde a invasão liderada pelos EUA. O Papa Bento XVI, em sua mensagem de Páscoa, lamentou o conflito. "Nada de positivo vem do Iraque, despedaçado pela matança contínua, enquanto a população civil foge", disse ele.Milhares de xiitas viajaram de ônibus ou carros para Najaf neste domingo, atendendo ao chamado de Sadr. A estrada entre Bagdá e Najaf estava congestionada com centenas de veículos, cujos passageiros acenavam com bandeiras iraquianas e gritavam slogans religiosos e contra os EUA."Não, não, não para a América ... Moqtada, sim, sim, sim," cantavam eles enquanto se dirigiam para a cidade sagrada.

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