Iraquianos usam arma brasileira

Aviões espiões não tripulados, satélites digitais e os caças bombardeiros dos Estados Unidos estão caçando em território do Iraque uma arma brasileira, o lançador múltiplo de foguetes Astros-II, da Avibrás Aeroespacial.O sistema utiliza três diferentes tipos de foguetes para atingir alvos situados entre 9 e 100 quilômetros. Os dois maiores vetores podem ser equipados com ogivas de dispersão, que lançam perto de 60 granadas do tipo bomblet, com cargas antiblindado, antipessoal, incendiária e de espalhamento de minas de superfície. A versão individual transporta de 150 a 250 quilos de explosivos.Hoje pela manhã, no encontro diário dos jornalistas com oficiais do Comando Central, em Doha, no Catar, os generais Renuart e Brooks exibiram o vídeo do que foi definido como "um bem sucedido ataque contra esse equipamento extremamente perigoso e ameaçador".As imagens mostram uma carreta lançadora do Astros-II enterrada pela metade em uma vala de proteção, no momento em que é atingida por um bomba guiada de 250 quilos, lançada por um jato de ataque ao solo.O Iraque foi o primeiro usuário do Astros-II da Avibrás, empresa de São José dos Campos. O número exato de baterias comprado pelo Ministério da Defesa de Saddam Hussein, entre 1981 e 1986, é desconhecido.O Pentágono estima que ainda estejam em operação cerca de 50 carretas, um mix entre as unidades equipadas com rampas lançadoras e as remuniciadoras. Há uma versão de comando e controle que lidera o conjunto padrão de seis veículos. Embora planejado para atuar nessa configuração, o sistema permite, sem prejuízo, o uso isolado de um só carro, semiblindado. O Astros-II iraquiano está em poder da Guarda Republicana, a tropa de elite de Saddam Hussein, desde meados dos anos 80.Na 1ª Guerra do Golfo os foguetes brasileiros foram pesadamente utilizados - também pela Arábia Saudita, que mantém um batalhão de artilharia equipado com o lançador - e desde então, em todas as ofensivas da coalizão, tem sido um dos objetivos prioritários dos ataques aéreos.Há três anos agentes do governo do Iraque contrataram especialistas ucranianos e sérvios para realizar um programa clandestino de modernização no Astros-II.Vetado pelo embargo, o investimento no reequipamento militar de Bagdá foi conduzido quase todo por meio do mercado negro e envolveu US$ 12 bilhões, de acordo com estimativa do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) de Londres. Veja o especial :

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