Mel Evans/AP
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Irene alaga Nova York e deixa saldo de 19 mortos

Furacão, que havia feito estragos maiores na Carolina do Norte, chegou à cidade como tempestade tropical; 4 milhões ficaram sem luz nos EUA

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK e Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

Apesar de o furacão Irene ter perdido força e se transformado em tempestade tropical cerca de uma hora antes de atingir Nova York, seus ventos provocaram ontem estragos na cidade e em outras regiões da Costa Leste dos EUA. A chuva, somada à força da maré, alagou áreas de Manhattan e deixou 4 milhões pessoas sem energia elétrica em todo o país.

Ao todo, o Irene causou 19 mortes, sendo a maior parte delas nos Estados de Virgínia e Carolina do Norte, onde os ventos foram bem mais fortes do que nas áreas ao norte. Em Nova York, não houve vítimas. A situação já estava quase normalizada na noite de ontem, mas a reabertura dos três aeroportos da região ficou para hoje.

Em pronunciamento na TV, o presidente Barack Obama disse que o perigo ainda não havia acabado e ainda havia riscos de inundações no nordeste do país. "O impacto do Irene será sentido ainda por algum tempo", afirmou o presidente.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, foi mais otimista. De acordo com ele, o pior já passou, mas os moradores da cidade ainda devem ter cautela. Ele pediu que todos evitassem os parques e não ficassem próximos a árvores. O governador de New Jersey, Chris Christie, lembrou que grande parte das mortes em furacões ocorrem em acidentes depois de encerrados os ventos.

Na madrugada de sábado para o domingo, a chuva havia se intensificado em Nova York. Os ventos chegaram a 104 quilômetros por hora, mas já não tinha a mesma intensidade de antes. O temor foi maior de manhã, quando o Irene atingiu a cidade como tempestade tropical.

O nível do Rio Hudson subiu com a maré alta e a força das chuvas, deixando alagados bairros sofisticados, como o West Village e também o Battery Park, nas proximidades do Marco Zero. Muitas áreas do Brooklyn também ficaram debaixo da água. No Queens, milhares de moradores estavam sem energia. O maior risco, segundo o corpo de bombeiros, era que a inundação atingisse o metrô.

Após o Irene. Antes do meio-dia, a água começou a retroceder. A chuva parou e moradores e turistas começaram a sair às ruas para ver o resultado da passagem do Irene. No Upper East Side, havia algumas árvores caídas, obstruindo avenidas.

Curiosos que foram ao Central Park, apesar do fechamento do parque pela polícia, viram muitos galhos no chão e poças d"água gigantescas. No fim da tarde, o vento se fortaleceu e as pessoas voltaram a buscar abrigo em lugares cobertos.

Mesmo sem provocar mortes, o Irene parou Nova York. Musicais da Broadway foram cancelados e os organizadores adiaram espetáculos no Lincoln Center, jogos de beisebol e de futebol americano. Não havia metrô nem ônibus para circular desde o sábado, apesar de os táxis operarem normalmente, cobrando uma tarifa adicional.

Quase todos os restaurantes ficaram fechados e poucos supermercados e farmácias abriram as portas. Além dos aeroportos, o transporte público também deve ser normalizado hoje. Os organizadores do US Open - principal torneio de tênis do país - ainda não haviam definido se haveria partidas.

Bloomberg foi questionado ontem por jornalistas pelo excesso de zelo nos preparativos para o furacão Irene. Ao todo, 370 mil pessoas precisaram ser retiradas de suas casas no fim de semana e o sistema de transporte público da cidade, que movimenta mais de 8 milhões de pessoas diariamente, ficou fechado por ordem dele desde sábado, ao meio-dia, e reabriria na manhã de hoje.

"Este foi o melhor dos cenários. Todas as medidas preventivas foram tomadas e, no fim, o furacão se enfraqueceu. Imaginem se fosse o oposto, sem as medidas e com o furacão ficando mais violento?", disse o prefeito em entrevista coletiva. "A ausência de vítimas fatais pode ser atribuída tanto a essas decisões como à sorte de o furacão chegar com menos força a Nova York."

Bloomberg também disse que as decisões foram tomadas com base em informações meteorológicas do momento e era preciso um pouco de antecipação para os preparativos. Na sexta-feira, quando as medidas foram anunciadas, havia ainda um elevado risco de o Irene atingir Nova York como um furacão de categoria 2.

No Natal do ano passado, o prefeito foi duramente criticado por ter agido de forma inversa, pois o seu governo não se preparou adequadamente para uma das maiores nevascas em décadas. Demorou, na ocasião, quase uma semana para os serviços municipais conseguirem liberar todas as ruas e o sistema de transporte público retornar à normalidade.

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