Cathal McNaughton/Reuters
Cathal McNaughton/Reuters

Irlanda aprova casamento gay em referendo histórico

País é o primeiro no mundo a adotar a medida por meio de referendo popular, que teve a aprovação de dois terços dos eleitores

O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2015 | 08h08



Atualizada às 15h05.

DUBLIN - A Irlanda aprovou neste sábado, 23, por meio de referendo a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em uma votação histórica que marca uma mudança inédita no país tradicionalmente católico. Os resultados finais ainda não foram divulgados até o início da tarde deste sábado, mas ministros do governo, no entanto, disseram à imprensa local que a proporção do referendo foi de dois votos a favor para um contra.

Com isso, a Irlanda se torna o primeiro país a adotar o casamento gay por meio de uma votação popular, somente duas décadas após ter descriminalizado a homossexualidade. “Isso realmente causou uma reação emocionada na Irlanda”, disse o ministro da igualdade Aodhan O’Riordain no principal centro de contagem em Dublin. “É uma mensagem muito forte para qualquer pessoa jovem LGBT na Irlanda e qualquer pessoa jovem LGBT no mundo.”

O ministro da saúde, Leo Varadkar, que revelou ser gay em uma entrevista transmitida por rádio em janeiro, disse que o referendo é comparável a uma revolução social.

Segundo o canal de TV estatal RTE, em Dublin, a capital do país, o apoio ao casamento homossexual pode chegar a 60%, e nos distritos das zonas rurais essa distância seria menor.

No fechamento dos colégios eleitorais, às 18h de sexta-feira, a RTE estimou que a participação do eleitorado tenha sido de 50% a 60%, um índice muito mais alto que o registrado em plebiscitos anteriores, o que dá uma ideia do interesse despertado pela consulta.

Respaldo. A proposta foi apoiada por todos os partidos políticos, grandes empregadores e endossada por celebridades, todos esperando que ela marque uma transformação no país, que foi por muito tempo tido como um dos mais socialmente conservadores na Europa ocidental.

Até mesmo o Iona Institute, um influente think-tank católico que fez campanha pelo não reconheceu em seu conta no Twitter que o eleitorado irlandês, de pouco mais de três milhões de pessoas, apoiou majoritariamente a proposta do governo, de coalizão entre conservadores e trabalhistas

Apenas um terço do país apoiava a descriminalização do sexo entre gays para homens acima de 17 anos em 1993, segundo uma pesquisa da época. Um juiz de um tribunal supremo disse em 1983 que a homossexualidade era “moralmente errada” e contribuía para depressão e suicídio.

A Irlanda aprovou em 2010 a lei de Relações Civis que, concedeu reconhecimento legal a uniões entre pessoas do mesmo sexo, mas não as qualificava como casamento. 

Igreja. O arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, afirmou neste sábado que o 'sim' do eleitorado irlandês ao casamento homossexual é um exemplo da "revolução social" que o país atravessa "há muito tempo", e reconheceu que a Igreja Católica deve reagir a estas mudanças.

Com a maioria dos votos do referendo já computados e com a vitória do 'sim' garantida, Martin afirmou que chegou o momento de a hierarquia católica iniciar um processo profundo de debate e "revisão da realidade".

O líder da arquidiocese de Dublin afirmou que os responsáveis católicos devem encontrar uma "nova linguagem" para propagar mais eficazmente a mensagem da Igreja, sobretudo entre os mais jovens, cujo voto foi fundamental para a aprovação na consulta do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Durante a campanha, a Igreja Católica, apoiada por um reduzido número de grupos conservadores, anti-aborto, e uma minoria de senadores e deputados, sustentou que o casamento gay atenta contra os valores da família tradicional e modificará radicalmente os processos de adoção e de barriga de aluguel, e ao mesmo tempo acabaria com os direitos das crianças./EFE e REUTERS

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