Luke MacGregor/Reuters
Luke MacGregor/Reuters

Irlanda do Norte pode votar união à Irlanda em 2016, diz ministro

Martin McGuiness, líder de partido separatista, faz campanha pela separação da Grã-Bretanha

Efe

30 de janeiro de 2012 | 11h48

DUBLIN - O vice-ministro norte-irlandês e "número dois" do Sinn Fein, Martin McGuinness, acredita que a Irlanda do Norte poderá organizar um plebiscito em quatro anos para avaliar a adesão desta província britânica à República da Irlanda.

 

Em entrevista publicada nesta segunda-feira, 30, no jornal The Examiner, o dirigente católico nacionalista, ex-comandante do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) durante o conflito na região, diz que não há "razão alguma" para que esta opção não seja considerada.

 

O objetivo do plebiscito é fazer com que os norte-irlandeses possam se pronunciar depois das eleições autônomas de "2015 e 2016", uma data de grande significado histórico para o Sinn Fein. Em 2016, o movimento político comemora o centenário da Revolta de Páscoa, uma sangrenta batalha que desencadeou na guerra de independência irlandesa contra o Reino Unido (1919-1921).

 

Londres assinou uma trégua com Dublin em 1921 e, dois anos depois, fundou o Estado Livre irlandês, embora o Governo britânico tenha deixado sob sua jurisdição seis dos nove condados que compõem a região do Ulster, origem do conflito que ainda afeta esta parte da ilha.

 

"O calendário me parece razoável. Trata-se de uma pergunta ao povo desses seis condados, saber se eles querem manter o vínculo com o que se chama de Reino Unido ou querer ser parte de uma Irlanda unida", explica McGuinness. O líder católico também disse que seus parceiros protestantes no governo autônomo norte-irlandês, o majoritário Partido Democrático Unionista (DUP), podem "persuadir" para que aceitem esta iniciativa.

 

Segundo os termos do acordo de paz da Sexta-Feira Santa (1998), mesmo se o pedido fosse feito, a última palavra teria que ser do Governo britânico, envolvido agora em uma disputa com os nacionalistas escoceses, que querem um plebiscito de independência para 2014.

 

Na opinião de McGuinness, a grave crise econômica e financeira que sofre a República da Irlanda não vai influenciar negativamente a criação desse plebiscito e, muito menos, a intenção dos eleitores de abandonarem a união com Londres.

 

"Seria um erro pensar que as pessoas vão decidir seu futuro segundo com base em um período particularmente desastroso na gestão da economia pelo Governo de Dublin", assinala o vice-ministro principal. "A população tomará uma decisão que deve avaliar o 'potencial' que apresenta a reunificação irlandesa para a economia e para a estabilidade política", acrescenta.

 

Apesar dos analistas demográficos apontarem que nos próximos anos a população de origem católica deverá superar a de protestantes na Irlanda do Norte, McGuinness considera "demais sectário" esperar que o eleitorado se pronuncie atendendo as questões estritamente religiosas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.