Paul Faith/AFP
Paul Faith/AFP

Irlanda lidera resistência da União Europeia ao plano de Johnson

O problema ainda sem solução do Brexit é o que fazer com a fronteira entre Irlanda, membro da União Europeia, e Irlanda do Norte, território britânico – única fronteira terrestre entre Reino Unido e Europa

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2019 | 19h09

DUBLIN - O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse nesta quinta-feira, 3, que o plano do Brexit apresentado pelo premiê britânico, Boris Johnson, não evita uma fronteira física entre as duas Irlandas, o que inviabiliza um acordo entre Londres e Bruxelas.

O problema ainda sem solução do Brexit é o que fazer com a fronteira entre Irlanda, membro da União Europeia, e Irlanda do Norte, território britânico – única fronteira terrestre entre Reino Unido e Europa. De acordo com o Acordo de Sexta-Feira Santa, de 1998, que pôs fim a 30 anos de violência na região, os britânicos concordaram em retirar os postos de checagem. 

Assim, a maneira encontrada pela então premiê Theresa May foi criar um mecanismo – o “backstop” – que manteria o Reino Unido no mercado comum europeu até que um tratado de livre-comércio fosse assinado. Para o parceiro de coalizão de May, porém, a cláusula era inaceitável. O Partido Unionista Democrático, com 10 deputados no Parlamento, não aceita que a Irlanda do Norte viva sob regime diferente do resto do país – o que na prática significaria a unificação da Irlanda.

O novo plano de Johnson cria então um backstop só para a Irlanda do Norte, mantendo o território nas regras do mercado único em matéria agrícola, alimentar e de bens industriais, mas não com relação a outros bens e serviços. Segundo a proposta, haveria um controle aduaneiro, mas não por meio de postos fronteiriços, e sim em pontos da cadeia de produção e distribuição no interior dos dois territórios. 

A solução não convenceu Varadkar e os europeus, que consideram o controle aduaneiro incompatível com o acordo de paz de 1998. “Não consigo entender como Irlanda do Norte e Irlanda podem estar em uniões aduaneiras separadas e, ao mesmo tempo, evitarem a existência de postos de controle”, disse Varadkar. “Se for esta a proposta final, haverá um Brexit sem acordo”, afirmou Simon Coveney, chanceler da Irlanda. / AP

 

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.