AIDAN CRAWLEY/EFE - 08/02/2020
AIDAN CRAWLEY/EFE - 08/02/2020

Irlanda vai às urnas em meio a Brexit e crises na saúde e na habitação

Primeiro-ministro centrista, Leo Varadkar, tenta se reeleger defendendo sua influência na boa administração da saída do Reino Unido da UE

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2020 | 12h41

Os irlandeses começaram a votar neste sábado, 8, para uma nova legislatura na qual o primeiro-ministro centrista, Leo Varadkar, busca a reeleição defendendo sua boa administração do Brexit no vizinho Reino Unido.

As seções de votação foram abertas às 07h (4 horas, em Brasília) e fecharão às 22 horas. No entanto, a contagem só começará domingo, 9, e espera-se que seja longa.

Entre os desafios enfrentados por Varadkar, de 41 anos, está uma recente onda de apoio ao partido Sinn Fein, de esquerda, um braço político do grupo paramilitar do IRA, que poderia abalar o cenário político irlandês.

No poder há nove anos, o primeiro-ministro do Fine Gael (partido democrata-cristão) lidera um governo minoritário desde 2016, com o apoio do principal partido da oposição, o Fianna Fail, com quem ele se alterna no Executivo há décadas, em um sistema bipartidário.

No entanto, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE), que pode trazer sérias conseqüências para seu vizinho mais próximo, tem dominado o debate da política irlandesa desde então.

A saída britânica da UE em 31 de janeiro acalmou os temores imediatos de uma separação brutal, graças a um acordo de divórcio que Varadkar se orgulha de ter contribuído. Ele, porém, também adverte que o futuro relacionamento comercial entre Londres e Bruxelas ainda precisa ser negociado e afirmou ser o melhor candidato para defender os interesses da República da Irlanda.

Uma crise "real" 

Contudo, diferente dos candidatos, o eleitorado parece mais preocupado com questões da política interna, como o sistema de saúde caótico ou a falta de moradia a preços acessíveis, as duas principais prioridades citadas pelos eleitores para uma pesquisa recente na qual o Brexit ficou na 12.ª posição.

Os hospitais irlandeses estão saturados e a escassez de moradias disparou os preços para níveis inatingíveis para grande parte da classe média. O número de famílias sem-teto aumentou 280% desde dezembro de 2014, de acordo com a instituição de caridade Focus Ireland.

Sob Varadkar, a economia irlandesa se recuperou da recessão que sofreu em 2008 e cresceu 0,7%, no segundo trimestre de 2019. Mas a perda de poder de compra e a grave falta de moradia preocupam cada vez mais os irlandeses. 

"A crise imobiliária é real e tangível e tem sido um problema para os jovens na Irlanda há muito tempo", diz Jonathan Evershed, do University College em Cork. "Parece uma surpresa que isso tenha se tornado o assunto dessas eleições, mas não acho que deva ser assim", afirma.

Pesquisa

Uma pesquisa publicada na terça-feira pelo Irish Times atribuiu 25% das intenções de voto ao Sinn Fein, que concentrou grande parte de sua campanha na unificação da província britânica da Irlanda do Norte com a República da Irlanda. 

Em seguida, vem o Fianna Fail (23%) e o Fine Gael (20%).

Tradicionalmente, o Sinn Fein obtém resultados eleitorais piores do que o previsto pelas pesquisas de opinião, mas, se atingisse esse resultado histórico, a formação liderada por Mary Lou McDonald, embora incapaz de governar sozinha, poderia desempenhar um papel fundamental na formação de um Executivo da coalizão.

"Fianna Fail e Sinn Fein estão morrendo de vontade de ir para a cama juntos", disse Varadkar, na sexta-feira, nas últimas horas da campanha, que perdeu o apoio de seu aliado, também centrista, por causa de vários escândalos ​de dirigentes ​de seu partido.

Com Mary Lou, os nacionalistas se distanciaram de seus laços históricos com o IRA, que desempenhou um papel importante no conflito sangrento entre republicanos católicos e sindicalistas protestantes na Irlanda do Norte por três décadas. O confronto, que terminou em 1998, deixou 3.500 mortos. / AFP

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