German Federal Criminal Police/EFE
German Federal Criminal Police/EFE

Irlandesa vítima de estupro em Portugal acusa novo suspeito do caso Madeleine

Caso da pequena Maddie teve uma reviravolta depois que autoridades britânicas e alemãs revelaram que estão investigando um homem de 43 anos, identificado como Christian Brückner, que cumpre pena em um presídio na Alemanha

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2020 | 15h25

DUBLIN - Uma irlandesa que foi estuprada em Portugal em 2004 pediu às autoridades que investigam o sequestro de Madeleine McCann por acreditar que o novo suspeito do desaparecimento da menina britânica pode ser o seu agressor.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Hazel Behan disse ter sido estuprada em seu apartamento na Praia da Rocha, no Algarve, em Portugal, onde trabalhava na época e que fica a cerca de 30 minutos de carro da Praia da Luz, onde Madeleine desapareceu sem deixar rastros em 2007.

O suposto estuprador nunca foi pego, assim como o responsável pelo sequestro e desaparecimento da criança há 13 anos, mas Hazel acredita que as circunstâncias em torno de seu estupro coincidem com outra agressão sexual cometida pelo novo suspeito do sumiço da menina.

O caso da pequena Maddie teve uma reviravolta na última quarta-feira, depois que autoridades britânicas e alemãs revelaram que estão investigando um homem de 43 anos, identificado como Christian Brückner, que cumpre pena em um presídio na Alemanha.

O suspeito, que tem uma longa ficha criminal por violência sexual, que inclui vítimas menores, viveu no Algarve entre 1995 e 2007, e no dia do desaparecimento da britânica estava perto da casa na Praia da Luz em que os McCanns passavam férias. Brückner foi recentemente condenado pelo estupro de uma mulher americana de 72 anos na mesma região em 2005.

"Minha cabeça explodiu quando li como ele tinha atacado uma mulher em 2005, tanto as táticas quanto os métodos que ele usava, as ferramentas que carregava, como ele tinha tudo perfeitamente planejado. Eu vomitei, honestamente, porque ler sobre isso me fez lembrar da minha própria experiência", afirmou Hazel ao Guardian.

A vítima estava prestes a completar 21 anos quando foi estuprada na Praia da Rocha, onde trabalhava como representante de uma agência de turismo, e nos dias anteriores ao ataque teve a sensação de que alguém havia invadido o seu apartamento, mas não denunciou o fato.

Logo depois, segundo ela, alguém a acordou pela manhã chamando-a pelo nome. "Eu me virei e lá estava um homem mascarado vestindo uma malha que parecia um collant, com um facão na mão."

Durante seu depoimento, Hazel declarou à polícia portuguesa que o estuprador falou com ela em inglês com sotaque alemão, que ele tinha uma altura de cerca de 1m85, sobrancelhas loiras e olhos de um azul penetrante, mesmo no escuro, além de marca de nascença ou tatuagem na coxa direita. As características correspondem à descrição de Brückner feita pela imprensa alemã.

Após o estupro, a mulher foi até a recepção do complexo de apartamentos turísticos para chamar a polícia, à qual fez críticas pela forma como as investigações subsequentes foram conduzidas.

"Eu acho que se a polícia tivesse feito o seu trabalho para investigar o que aconteceu comigo, se este fosse realmente o homem que atacou a mulher americana e sequestrou Madeleine McCann, eles poderiam ter evitado o ataque, e Madeleine estaria agora em casa com seus pais", opinou.

A equipe da Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) que conduz a chamada Operação Grange, destinada a encontrar pistas sobre a garota britânica desde 2011, trabalhou com as autoridades alemãs para encontrar esse suspeito e identificou dois veículos que ele pode ter usado no momento do desaparecimento de Madeleine.

Enquanto a procuradoria alemã em Braunschweig afirmou que assume que a criança está morta e suspeita que seu assassino é o homem recém-identificado, de acordo com a imprensa britânica, a Scotland Yard ainda está investigando e alega não ter prova definitiva alguma se a criança está viva ou morta. /EFE

 

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