Irmã de Assad foge para os Emirados Árabes, diz jornal

De acordo com o 'El País', Bushra Assad levou seus cinco filhos para Dubai depois de atentado ter matado seu marido

ABU DABI, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h08

Bushra Assad, a irmã mais velha do ditador sírio, Bashar Assad, fugiu para os Emirados Árabes com seus cinco filhos, revelou ontem o jornal espanhol El País. Ela é o primeiro membro do clã a deixar a Síria desde o início da revolta contra o regime, em março do ano passado.

A fuga da irmã de Assad foi noticiada pela oposição síria e confirmada, segundo o El País, por membros da comunidade síria em Dubai. O jornal libanês Al-Diyar, simpático a Assad, também noticiou a presença de Bushra no país. O governo dos Emirados não desmentiu a informação.

Farmacêutica de 51 anos, Bushra matriculou seus filhos em um colégio particular perto do Consulado da França em Dubai. Assim como outros membros da família Assad, ela está proibida de viajar para países da União Europeia e para os EUA. Ela era casada com o vice-ministro de Defesa da Síria, Assef Chakaut, morto em um atentado em Damasco há dois meses.

Segundo analistas sírios, Assad via com ressalvas o marido de Bushra e reservava a ele cargos com importância relativa no governo. Apesar de alauita, como todo o clã Assad, Assef tinha uma origem humilde e a família era contra o casamento.

O enviado especial da ONU à Síria, Lakhdar Brahimi, disse ontem que o conflito está se agravando e pode se espalhar para outros países do Oriente Médio. O diplomata começou a negociar com os membros do Conselho de Segurança da ONU um caminho para solucionar a crise, mas o impasse continua. China e Rússia ameaçam vetar qualquer resolução que exija o uso de força contra Assad.

"Recuso-me a crer que pessoas razoáveis não vejam que é impossível voltar atrás. A Síria não voltará ao passado", disse Brahimi. Segundo o enviado da ONU, ainda não há o esboço de um plano, mas há ideias em torno de uma saída para a crise. Um diplomata do Conselho de Segurança avalia que Assad pretende levar o país de volta "à velha Síria" e retratar a revolta como algo bancado por potências estrangeiras.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, defendeu que o plano de seis pontos do ex-enviado da ONU Kofi Annan seja retomado. O plano prevê um cessar-fogo entre rebeldes e tropas de Assad e um governo de transição. / AP e REUTERS

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