Scott McIntyre/The New York Times
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Juanita Castro admite que teve relação difícil com Fidel, mas critica celebrações à morte do irmão

No início, ela apoiou a ideologia do irmão com relação à justiça social, mas ficou decepcionada quando ele se declarou comunista

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2016 | 11h22

CORAL GABLES, EUA - Juanita Castro considerava seu irmão Fidel Castro - líder da Revolução Cubana morto na sexta-feira aos 90 anos - um traidor e não falava com ele em 52 anos. Mesmo assim, ela sente que uma parte dela se foi agora que ele morreu.

Fidel era visto por muitos como um déspota que matou inocentes e causou o êxodo de inúmeros cubanos da ilha. Quando morreu, houve comemorações nas ruas de Miami, onde vivem muitos desses indivíduos.

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Apesar de sua relação distante com o irmão, Juanita expressou desgosto pelas centenas de pessoas que dançaram e celebraram a morte do ex-presidente. “Logicamente, essa reação machuca”, disse ela. Com 83 anos, ela mora no sul da Flórida de 1964. “Não é necessário fazer o que a população cubana fez nas ruas de Miami”, disse ela. “Eu respeito os sentimentos de todos. Mas isso eu não posso aceitar. Não é uma coisa boa.”

“Não é a primeira vez que eles fazem isso, e não é a primeira vez que eu sofro”, afirmou Juanita. “Quando ele ficou doente há mais ou menos 10 anos, eu tinha os meus negócios, e eles praticamente me lincharam porque eu disse que não me alegrava ver as pessoas ficarem doentes. Isso não é cristão. Isso não é humano.”

Juanita disse que soube da morte do irmão por meio de um telefonema de um amigo. Ela estava acordada no momento da notícia e não conseguiu dormir depois pois o telefone não parava de tocar. “Eu não sabia onde esconder o telefone.”

Divergências. Como muitos cubanos, a irmã de Fidel apoiou inicialmente a visão do irmão com relação à justiça social para a ilha. E assim como centenas de milhares de cubanos que saíram do país, ela ficou decepcionada quando ele se declarou um comunista.

Os últimos anos que passou em Cuba, Juanita ajudou outras pessoas a saírem da ilha e acabou entrando em conflito com Fidel e membros de seu grupo. Os dois trocaram acusações duras ao longo do tempo, principalmente quando alguns amigos dela foram presos. Ambos mal se olharam durante o funeral de sua mãe, em 1963, e ela decidiu partir logo após ser detida por um oficial militar, que a repreendeu por fumar cigarros de uma marca americana em uma pista de boliche.

Juanita se mudou primeiramente para o México e começou a fazer discursos em conferências internacionais, como a cúpula da ONU, nos quais acusava o irmão de trair o país com promessas falsas. Alguns meses depois, ela se mudou para Miami porque pensou ser o melhor lugar para defender seu ativismo de exílio. Contudo, ela nunca se sentiu completamente confortável, já que muitos habitantes locais a viam como alguém suspeita. “Eles me rejeitaram porque eu tinha os sobrenomes Castro Ruz”, contou.

Juanita lutou para explicar a tristeza com relação à morte do irmão. “Esse é um daqueles momentos em que posso dizer que perdi algo”, relatou. “E a população cubana também sentirá que perdeu alguém.” / NYT

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