Irmã de Fidel diz que brasileira a recrutou para CIA

Juanita Castro, irmã de Fidel e Raúl Castro, revelou que trabalhou para a CIA (Agência Central de Inteligência), e que foi recrutada pela mulher do então embaixador brasileiro em Havana. A declaração foi feita durante uma entrevista transmitida ontem pela emissora "Univisión".

AE-AP, Agencia Estado

26 de outubro de 2009 | 15h46

Juanita afirma que foi recrutada para trabalhar pela CIA por Virginia Leitão da Cunha, mulher do então embaixador do Brasil em Havana, Vasco Leitão da Cunha, que posteriormente foi ministro das Relações Exteriores, entre 1964 e 1966.

Juanita apoiou Fidel quando o grupo dele derrubou o ditador Fulgencio Batista. Em seguida, porém, desiludiu-se pelo grande número de execuções e outros abusos da revolução, disse ela durante entrevista ao canal hispânico de Miami.

Sua casa se converteu em um refúgio para anticomunistas, antes que a própria Juanita decidisse deixar o país, em 1964, quando se exilou no México. A irmã de Fidel disse que colaborou com a CIA enquanto estava em Cuba e também depois de sua partida.

Hoje, aos 76 anos, Juanita lança suas memórias, "Fidel e Raúl, meus irmãos. A história secreta", pela editora Santillana. O livro foi escrito pela jornalista María Antonieta Collins, a partir de uma entrevista.

Missão

Juanita disse que o primeiro contato da CIA ocorreu pouco após a fracassada invasão da Baía dos Porcos, quando ela viajou com o México para se reunir com o funcionário encarregado de seu recrutamento, em 21 de junho de 1961.

Ela contou em detalhes que Leitão da Cunha e sua mulher haviam abrigado muitos revolucionários durante a ditadura de Batista, e simpatizaram inicialmente com o governo Fidel, mas posteriormente ficaram decepcionados.

Segundo a irmã de Fidel, ela e Virgínia viajaram separadamente para o México para se encontrar com Tony Sforza, um dos especialistas da CIA em Cuba. Juanita viajou com o pretexto de visitar uma irmã, a quem nunca mencionou o assunto.

Sforza trabalhava infiltrado em Cuba, passando-se por jogador de cassino, com o nome falso de Frank Stevens. Juanita recebeu o nome de "agente Donna" e teve como primeira missão entregar dinheiro a homens da CIA na ilha.

A CIA se comunicava com ela por mensagens cifradas em uma rádio de ondas curtas. Antes da crise dos mísseis, Juanita passou informações à CIA de que foguetes soviéticos eram instalados em Cuba, e também sobre visitas dos russos à ilha.

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