Irmã de Ingrid pede Brasil em negociações

Lula poderia ajudar na libertação dos reféns das Farc

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2008 | 00h00

A família da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt - refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002 - quer um maior envolvimento do governo brasileiro na solução do conflito colombiano. No entanto, os parentes de Ingrid deixam claro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguirá ser um substituto para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Em declarações ao Estado, a irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, elogiou o fato de o Brasil não ter declarado as Farc como um grupo terrorista. No próximo mês, a família marcará os seis anos do seqüestro de Ingrid e promete reforçar a pressão internacional. "Estamos pedindo ao governo francês que envolva mais o Brasil no processo. O País é um ator importante na região e tomou um passo importante ao insistir em não classificar as Farc como uma organização terrorista. Isso permite que o governo seja um interlocutor no processo", afirmou Astrid, que está na Suíça para reuniões com o governo local. Os suíços - além de franceses e espanhóis - fazem parte do grupo de mediadores que tentam encontrar um acordo para a questão dos seqüestrados em poder da guerrilha. A idéia de Astrid é de incentivar esse grupo a usar o Brasil no diálogo. Para ela, porém, Lula não tem a mesma capacidade de diálogo com as Farc que o presidente da Venezuela. "Chávez é incontornável hoje na solução para a questão dos reféns." Segundo ela, o líder venezuelano foi "eficaz" ao conseguir certas concessões dos guerrilheiros. "Ele sabe como falar com eles e é alguém que precisa estar envolvido." O presidente colombiano, Álvaro Uribe, suspendeu a mediação de Chávez em novembro, frustrando a família da ex-candidata. "Chávez foi solicitado a entrar nas negociações desde que Ingrid foi seqüestrada, mas não podia sem o sinal verde da Colômbia", disse Astrid. "Há poucos meses, essa autorização foi dada e os resultados foram positivos. Chávez precisa estar associado às negociações. Ele tem o mandato da família dos reféns", garante Astrid. A família tenta convencer a Suíça, a França e a Espanha a utilizar os contatos de Chávez para se aproximar da libertação de Ingrid. TERRORISMOPara Astrid, um passo importante que a comunidade internacional pode dar é a retirada das Farc da lista de organizações terroristas. "Isso ajudaria na libertação dos reféns", afirmou a irmã de Ingrid, que defende que a União Européia tome tal medida. Uribe vem insistindo que outros governos mantenham o status de terroristas às Farc. "Uribe nunca quis negociar e atua de má-fé", diz. "A guerra tem sua lógica política também para o governo e é interessante que seja mantida, até mesmo para que os militares continuem recebendo dinheiro do governo americano."

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