Korean Central News Agency/Korea News Service via AP
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Irmã de Kim Jong-un visitará Coreia do Sul durante Jogos de Inverno

Se realmente acontecer, a visita de Kim Yo-jong, vice-diretora do Departamento de Propaganda e Agitação do Partido Único, será a primeira de um membro da dinastia Kim ao Sul; Seul consultará comunidade internacional para que visita 'não cause controvérsia'

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 10h26

SEUL - Kim Yo-jong, irmã do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, viajará com a delegação de alto escalão do regime que visitará a Coreia do Sul entre os dias 9 e 11 deste mês por ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, informou o Ministério da Unificação sul-coreano.

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A irmã de Kim acompanhará o chefe de Estado do país, Kim Yong-nam, que lidera a delegação da Coreia do Norte e é o oficial norte-coreano do mais alto escalão a visitar o país vizinho. 

Se realmente acontecer, a visita de Kim Yo-jong, que é vice-diretora do Departamento de Propaganda e Agitação do Partido Único, seria a primeira de um membro da dinastia Kim à Coreia do Sul.

"A inclusão de Kim Yo-jong na delegação é significativa, já que não só é a irmã do líder da Coreia do Norte, mas também ocupa um posto de peso no Partido dos Trabalhadores norte-coreano", disse em um comunicado o Ministério de Unificação sul-coreano.

Mesmo assim, o governo do Sul consultará a comunidade internacional sobre a visita, com o objetivo de que esta não cause "nenhuma controvérsia sobre as sanções", acrescenta o comunicado.

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Junto a Kim Yo-jong e Kim Yong-nam viajarão outros 20 funcionários norte-coreanos, entre os quais se destacam outros oficiais como Choe Hwi, presidente do Comitê Nacional de Planejamento Esportivo, e Ri Son-gwon, que lidera o organismo que administra as relações intercoreanas no Norte.

O próprio Ri participou das históricas conversas realizadas no mês passado, onde foi acertada a participação do Norte nos Jogos de Inverno, que acontecerão na cidade sul-coreana de PyeongChang, a partir do dia 9.

Os dois países, que tecnicamente seguem em guerra há mais de 65 anos, concordaram também em desfilar lado a lado sob a mesma bandeira na abertura dos Jogos.

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Ainda é desconhecido o papel da irmã de Kim Jong-un durante a visita, ainda que Seul já tenha admitido que o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, poderia propor um encontro bilateral com o chefe de Estado norte-coreano.

Se acontecer, será a primeira reunião intercoreana do mais alto escalão realizada em território sul-coreano. 

O governo da Coreia do Norte sempre foi uma questão de família. Kim Jong-un representa a terceira geração que comanda o país, depois de seu pai Kim Jong-il e seu avô Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte. O atual dirigente e sua irmã são filhos da união de Kim Jong-il com sua terceira mulher, a ex-bailarina Ko Yong-hui.

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Seul acredita que a participação norte-coreana em PyeongChang pode ajudar a reduzir a tensão regional e facilitar uma aproximação entre o regime e os Estados Unidos, que estarão representados nos Jogos pelo vice-presidente Mike Pence. 

Provocação

A Coreia do Norte criticou nesta quarta os militantes que protestaram na véspera na Coreia do Sul contra a participação do país nos Jogos Olímpicos, ao chamar os participantes de "psicopatas". 

Centenas de sul-coreanos protestaram na terça-feira contra a presença do vizinho do Norte no evento olímpico, no dia em que chegaram a Mukho, porto da região leste da Coreia do Sul, 120 artistas norte-coreanos. 

Alguns manifestantes exibiram fotos de Kim Jong-un com o rosto marcado por um enorme X. Outros pisaram em retratos e queimaram a bandeira norte-coreana e a da unificação. 

"Corriam por todos os lados como galinhas sem cabeça, gritavam sobre o 'barco dos vermelhos', 'voltem para casa', 'reforcem a aliança Coreia do Sul/Estados Unidos", afirmou a agência estatal norte-coreana KCNA. 

"Pior ainda, não hesitaram em atacar a dignidade do comandante supremo da Coreia do Norte nem em queimar as bandeiras da Coreia do Norte e da península", completou. 

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Qualquer insulto contra a família do dirigente norte-coreano provoca a ira de Pyongyang. "Não são mais que gângsteres cegos inferiores aos animais", escreveu a KCNA, que chamou os manifestantes de "resíduos humanos". 

Depois dos 120 artistas que chegaram na véspera, nesta quarta-feira 229 animadoras de torcida norte-coreanas chegaram a Coreia do Sul para incentivar os atletas do país nos Jogos de Inverno. Elas integram a delegação de 280 pessoas que atravessaram a zona desmilitarizada (DMZ) que divide a península no porto de fronteira de Dorasan, ao norte de Seul. / EFE e AFP

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