AP Photo/Wilfredo Lee
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Irma fecha aeroportos na Flórida e afeta 8 mil passageiros brasileiros

Linhas aéreas cancelam ao menos 44 voos entre EUA e Brasil; caos marca busca de abrigo no norte da Flórida

José Maria Tomazela e Claudia Müller, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2017 | 21h37

Ao menos 44 voos entre o Brasil e a Flórida, nos Estados Unidos, com decolagem programada entre esta sexta-feira, 8, e a segunda-feira, foram cancelados em razão da chegada do furacão Irma à costa americana. Mesmo com a redução na categoria do furacão, cinco dos principais aeroportos do Estado - Fort Lauderdale, Fort Myers, Miami, West Palm Beach e Orlando - estarão fechados até domingo. A medida afetará também as conexões para mais dez aeroportos da Flórida e outros 25 da região, afetando cerca de 8 mil passageiros do Brasil.

A American Airlines, que já havia cancelado seis voos na quinta-feira, anunciou a suspensão de outros 12 previstos para esta sexta, sábado e domingo. Os voos da companhia para Nova Iorque, Los Angeles e Dallas não serão afetados. A Latam cancelou 12 voos previstos para esta sexta e sábado que tinham como origem ou destino a cidade de Miami.

A Azul cancelou 12 voos que teriam o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, como origem ou destino, incluindo um previsto para segunda-feira, que sairia de Fort Lauderdale. A Avianca cancelou dois voos que partiriam de São Paulo nesta sexta e no sábado, e dois de Miami para a capital paulista no sábado e no domingo.

Brasileiros que residem ou estão em viagem à Flórida relatam momentos de angústia com a aproximação do Irma. O casal Virgínia, de 35 anos, e Leandro Gonçalves, de 39 anos, mora em Miami e conta que deixou sua casa e seguiu para Orlando, no centro do Estado, na quinta-feira. "Saímos às 4 da manha, quando grande parte da população já deixava a cidade. No dia anterior, o governador havia feito um alerta de que o Irma seria duas vezes mais severo que o Andrew, que destruiu a Flórida em 1992", conta Virginia.

"Os postos de gasolina estavam fechados por falta de combustível e havia muitos policiais nas ruas para evitar caos." O casal, que se hospedou num hotel de Orlando, estava preparado para seguir viagem de seis horas e cruzar a divisa com o Alabama, ao norte, mas desistiu após a informação de que o furacão chegará em Orlando como categoria 2. 

"Estamos razoavelmente seguros, pois o hotel tem gerador de energia e proteção para aguentar um furacão categoria 3, por isso decidimos ficar. Todos os hóspedes estão em andares acima do nível da rua, pois há risco de alagamento." O receio dos dois é com relação à casa deles em Miami. "Estamos rezando para que não aconteça nada. Temos estoque de água e comida não perecível para depois do tornado, caso tenhamos problemas de abastecimento."

Frustração

As férias do empresário brasileiro Renato Reis, de 47 anos, num hotel beira-mar em Miami Beach tiveram de mudar de lugar dois dias antes do previsto porque o governo ordenou que local fosse esvaziado. Reis passou o fim da viagem num hotel próximo do aeroporto, onde um casal de amigos se hospedava. 

Ele conta que a cidade ficou caótica em meio à expectativa pela chegada do furacão. "No mercado que fomos, já não tinha mais água e muitos outros mantimentos estavam faltando." Segundo ele, a polícia distribuiu areia para que os moradores vedem as portas e muitos estavam comprando tapumes para reforçar portas e janelas contra a tempestade. 

O empresário, sua família e amigos tiveram sorte: o voo de volta deles, o último da noite de quinta-feira, conseguiu decolar com destino ao Brasil. A partida atrasou duas horas, mas eles deixaram Miami às 22h20. Já em solo brasileiro, Reis conta que o aeroporto estava caótico. "Muitas pessoas estavam desesperadas e crianças choravam. Quem estava lá pagaria o preço que fosse por uma passagem de volta."

Direitos

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou nesta sexta que acompanha a prestação de assistência aos passageiros que, por medida de segurança, estão tendo seus voos cancelados pela condição adversa provocada pelo furacão Irma. Segundo a Anac, conforme prevê a Resolução nº 400 da agência, em caso de cancelamento de voos pela condição meteorológica, os passageiros têm direito à remarcação do embarque.

"A Agência orienta que os passageiros fiquem atentos e entrem em contato com as companhias aéreas para as providências. Caso o passageiro se sinta prejudicado ou tenha seus direitos desrespeitados, deve procurar a empresa aérea contratada e reivindicar seus direitos como consumidor." Ainda conforme a agência, se as tentativas de solução do problema não apresentarem resultado, o usuário pode registrar sua reclamação no site www.consumidor.gov.br.

Pela ferramenta, o consumidor se comunica diretamente com as empresas, que têm 10 dias para receber, analisar e responder as reclamações. "A Anac acompanha a solução de conflitos por essa plataforma. Além disso, o passageiro pode registrar denúncia na Anac para que haja uma fiscalização", informou em nota.

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