Irmandade anuncia novo partido político

Grupo islâmico, que não apresentará candidato à presidência, terá voz em painel constitucional

, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

CAIRO

Banida há 62 anos, a Irmandade Muçulmana - maior e mais organizado grupo de oposição do Egito - anunciou ontem que formará um partido político com a chegada da democracia ao Cairo. A organização fundamentalista, porém, disse que não apresentará candidato nas eleições presidenciais marcadas para setembro, quando deve apoiar o diplomata Mohamed ElBaradei.

Ao mesmo tempo, o Conselho Superior das Forças Armadas - autoridade máxima do Egito desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak - deu fortes sinais de que reconhece o papel central da irmandade no futuro do país. A cúpula militar incluiu um deputado ligado ao grupo islâmico no painel de oito especialistas com poderes para emendar a Constituição permitindo eleições livres este ano.

A irmandade defende a adoção de leis islâmicas no Egito, não reconhece direitos iguais a cristãos coptas (10% da população do país) e adota uma retórica antiamericana e antissemita. Mas o grupo, que há quase 30 anos participa da vida política egípcia, é tido por analistas como pragmático e promete respeitar a diversidade da sociedade.

Estarão presentes no painel que mudará a Constituição especialistas de diferentes ideologias, incluindo liberais seculares e três integrantes da atual Suprema Corte (um deles, cristão). A cúpula das Forças Armadas pretende passar em até seis meses o poder a um novo governo civil, eleito democraticamente. A expectativa é que o painel constitucional divulgue suas conclusões dentro de dez dias.

Em Washington, o presidente Barack Obama elogiou os militares egípcios pelas demonstrações de empenho na transmissão do poder. "O Egito precisará de ajuda para construir instituições democráticas, para fortalecer sua abalada economia. Até agora, pelo menos, estamos vendo os sinais corretos vindos do Cairo", disse Obama.

Ontem, a imprensa estatal egípcia que o responsável de Mubarak pela segurança do Cairo, general Ismail al-Shaer, havia sido colocado em prisão domiciliar. Shaer teria sido o principal organizador da repressão contra manifestantes da Praça Tahrir e teria renunciado na segunda-feira. Segundo jornais do Cairo, pelo menos outros seis responsáveis pelo aparato de segurança na capital também teriam sido colocados em prisão domiciliar. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.