Irmandade mantém protesto no Ramadã

Líderes prometem desobediência civil e mobilizações durante mês sagrado do Islã

CAIRO, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2013 | 02h06

Disposta a manter sua mobilização pelo retorno ao poder do presidente deposto Mohamed Morsi, a Irmandade Muçulmana se prepara para ingressar em "desobediência civil" ainda durante o Ramadã, mês de jejum dos muçulmanos que começou ontem. A disposição foi revelada por líderes do grupo islâmico para demonstrar que o poder do governo "transitório" não é legítimo.

"Nós vamos considerar ilegítimas todas as medidas que forem tomadas pelo regime e vamos continuar nossas manifestações pacíficas", afirmou Abdel Rahman al-Ber, membro do Comitê do Conselho da Irmandade. "Tão logo seja necessário, entraremos em desobediência civil. Estamos prontos para manter a nossa mobilização em Nasr City (periferia do Cairo) por meses, porque buscamos viver de forma democrática em um país civilizado."

Na prática, a Irmandade Muçulmana pretende continuar nas ruas do norte do Cairo e realizar manifestações mesmo que receba a ordem do Ministério do Interior de dissolver o movimento. "Temos esperança de que o Ramadã, um período de reflexões, traga essas pessoas do regime de volta para a via democrática", disse Al-Ber.

Em Nasr City, o primeiro dia de Ramadã foi de mobilização. O Estado acompanhou as manifestações e o jejum dos islamistas, acampados em barracas ao longo da mesquita de Rabaa al-Adawiya.

Se compartilham da esperança de que o mês de reflexões solucione o impasse político, militantes da Irmandade Muçulmana ouvidos também demonstraram o receio oposto: o de que o movimento perca fôlego.

"Pode ser que o Ramadã ajude a unir as pessoas na rua, mas também pode ser que ele acabe levando nossos membros de volta para suas cidades e suas famílias", admitiu Abdel Rahman al-Dour, membro do grupo de relações públicas da Irmandade. "A verdade é que não sabemos o que vai acontecer com nossas manifestações."

Longe da mobilização dos islamistas, a população do Cairo deposita no Ramadã a esperança de que o Egito saia da crise política e termine o mês mais unido. "O Ramadã vai resolver o problema, porque o jejum permite refletir e acalmar os corações", afirmou Ahmad Mustafá, funcionário da escola corânica de Jama'a, próximo à Cidadela do Cairo. "A Irmandade Muçulmana e os demais são o mesmo povo. Nós somos todos irmãos. Somos todos um só. Todos egípcios." / A.N.

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