Irmandade Muçulmana anuncia boicote a conselho militar no Egito

Partido islâmico teme que Exército tire autonomia do Parlamento na redação da Constituição

Reuters

08 de dezembro de 2011 | 14h19

CAIRO - A Irmandade Muçulmana do Egito, que apresentou bom desempenho no início das eleições parlamentares, informou nesta quinta-feira, 8, que se afastará de um novo conselho criado pelo governo militar para ajudar a supervisionar a elaboração de uma nova Constituição.

 

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O popular grupo islâmico disse temer que o conselho, que incluirá políticos, candidatos presidenciais e representantes dos jovens, retire a autoridade do novo Parlamento e torne-se um elemento permanente no Egito. O Exército, que assumiu o comando do país em fevereiro após a deposição do presidente Hosni Mubarak, deve criar formalmente o conselho no final do dia.

Uma fonte próxima ao projeto disse à Reuters que, se for bem sucedido, o seu mandato poderá ser prorrogado assim que os militares entregarem o poder total para um presidente civil em 2012. "Se este corpo conseguir resolver questões nacionais, ele poderá evoluir a uma comissão de defesa nacional e permanecer em vigor mesmo depois que um presidente for eleito", disse a fonte, deixando claro que os oficiais do Exército poderão se juntar ao grupo mais tarde.

Não ficou claro como tal corpo funcionaria ao lado do novo Parlamento, e um importante membro do Partido Liberdade e Justiça, da Irmandade Muçulmana - que assumiu a liderança firme em resultados antecipados nas últimas semanas - disse que o grupo boicotará o conselho.

"Depois de participar nas negociações iniciais... tornou-se evidente que o grupo consultivo terá um mandato além do período de transição liderado pelo conselho militar", disse Mohamed al-Katatni, do partido. Ele disse que isso iria "prejudicar o (Parlamento) e intervir na formação da assembleia para a elaboração da Constituição".

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