Irmandade Muçulmana busca tranquilizar eleitorado egípcio

A Irmandade Muçulmana prometeu na terça-feira ao eleitorado egípcio que tentará formar uma ampla coalizão caso seu partido confirme a vitória na eleição parlamentar do país. O grupo disse também que pretende evitar um confronto com a junta militar que governa o Egito.

DINA ZAYED E YASMINE SALEH, REUTERS

06 de dezembro de 2011 | 19h37

O Partido Liberdade e Justiça (PLJ), ligado à Irmandade, liderou a primeira etapa da eleição parlamentar, mas o líder da entidade islâmica, Mohammed Badie, negou que seu grupo irá tentar controlar sozinho o futuro Parlamento.

"Não vamos governar o Egito sozinhos. O Parlamento irá incluir todas as cores do arco-íris, que devem concordar com uma direção, uma meta", disse Badie à emissora de TV Al Mehwar.

A eleição parlamentar - primeira desde a deposição, em fevereiro, do presidente Hosni Mubarak, que passou 30 anos no poder - acontece em várias etapas, até janeiro. Na terça-feira, terminou o segundo turno da votação distrital.

A junta militar terá dificuldades para ignorar um Parlamento com mandato popular, mas o Exército continuará a dar as cartas pelo menos até a eleição presidencial de junho de 2012.

Adversários da Irmandade Muçulmana dizem que o grupo pretende transformar furtivamente o Egito em um Estado islâmico, restringindo liberdade para seus 80 milhões de habitantes - sendo cerca de 10 por cento deles cristãos coptas.

Badie disse não acreditar que a junta militar que substituiu Mubarak irá tentar minar o novo Parlamento. "O conselho militar é o único presidente do Egito, e não faz sentido que o presidente seja injusto, então como pode que um povo escolha um governo que os militares rejeitem por estar fora de controle?", disse ele.

Além do PJL, a primeira etapa da votação também trouxe bons resultados para o partido salafista Al Nour, considerado radical islâmico. Mas dificilmente haverá uma aliança entre grupos muçulmanos rivais no Parlamento, deixando assim margem para que políticos liberais também participem do futuro governo e influam na redação de uma nova Constituição.

O Al Nour e o PJL disputam cerca de metade das 52 vagas parlamentares distritais definidas em segundo turno na segunda e terça-feira.

No Cairo e em Alexandria, as filas na segunda etapa da votação foram bem inferiores às do primeiro turno, e analistas dizem que isso se deve ao desinteresse de eleitores liberais ou laicos.

"É uma briga entre salafistas e a Irmandade Muçulmana, eles não querem que nenhum dos dois, por isso não vão (votar)", disse Adel Soliman, do Centro Internacional para Estudos Futuros e Estratégicos. "O entusiasmo na eleição já passou."

Monitores independentes pediram maior fiscalização nos locais de votação, apontando várias irregularidades, inclusive a prática da campanha de boca de urna.

"Até agora, não vimos um movimento positivo para limitar esse fenômeno", disse Tarek Zaghloul, gerente-executivo da Organização Egípcia de Direitos Humanos, que participa do monitoramento.

Ele também notou que os partidos estão usando slogans religiosos e disponibilizando ônibus para transportar eleitores - duas práticas que são proibidas.

As autoridades eleitorais confirmaram que irregularidades no primeiro turno levaram à anulação dos votos em um dos quatro distritos eleitorais do Cairo. Uma nova votação foi marcada para os dias 10 e 11 de janeiro, com segundo turno uma semana depois.

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