Mohamed Abd El Ghany/Reuters
Mohamed Abd El Ghany/Reuters

Irmandade Muçulmana elege líder e multidão protesta no Egito

Saad el-Katatny vai substituir Mohamed Morsi, eleito presidente do país neste ano

AE, Agência Estado

19 de outubro de 2012 | 15h13

CAIRO - A Irmandade Muçulmana elegeu nesta sexta-feira, 19, um ex-líder do Parlamento como seu novo chefe. Saad el-Katatny vai substituir Mohamed Morsi, eleito presidente do país neste ano.

El-Katatny foi líder do Parlamento até a casa ser dissolvida pelo governo militar no começo deste ano. Ele é considerado da chamada "linha-dura" do Partido da Liberdade e Justiça, o braço político da Irmandade. El-Katatny recebeu 581 votos, derrotando o vice-líder do grupo, Essam el-Erian, que obteve 283 votos.

Enquanto os islâmicos faziam sua eleição interna, pelo menos 10 mil pessoas tomaram as ruas do centro do Cairo, exigindo que a Irmandade Muçulmana peça desculpas pela violência da semana passada, quando egípcios laicos e seculares se manifestaram no centro da capital e foram agredidos por partidários do grupo. Pelo menos 100 pessoas ficaram feridas.

Nesta sexta-feira, a manifestação acabou justamente na praça Tahrir, epicentro dos protestos contra Hosni Mubarak no final de 2010 e começo do ano passado. Os manifestantes pedem que o governo e o partido governista respeitem a Constituição, que representa todos os grupos da sociedade, incluídos seculares, cristãos e mulheres.

O partido foi criado pela Irmandade logo após a queda de Mubarak, que governou autoritariamente o Egito durante quase 30 anos, até fevereiro do ano passado. A Irmandade sofreu durante anos com a repressão de Mubarak.

El-Katatny é considerado próximo à facção mais conservadora do grupo, liderada pelo financista Khairat el-Shater, o qual era a principal aposta da Irmandade para as eleições presidenciais, mas teve a candidatura desclassificada pela Justiça Eleitoral. Mesmo assim, o Partido da Justiça e Liberdade venceu as eleições com Morsi.

El-Erian é visto como mais liberal e aberto ao diálogo com os seculares. Mas a visão política entre os dois candidatos internos tem diferenças mínimas, segundo os críticos. "A Irmandade não tem mais duas alas, no momento ela tem apenas uma e ela é conservadora", disse Mohammed Osman, ex-partidário da Irmandade que rompeu com o grupo. "No final das contas, El-Erian e El-Katatny são a mesma coisa", disse Osman.

O partido, contudo, está sob fortes críticas dos seculares, liberais e cristãos coptas, que acusam a Irmandade e seu braço político de tentarem escrever uma Constituição islamita para o Egito.

Com AP

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