Irmandade Muçulmana pede que Turquia não tente dominar região

Grupo islâmico egípcio critica planos de Erdogan de influenciar países, mas elogia sua [br]retórica anti-Israel

, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

CAIRO

A Irmandade Muçulmana, principal grupo político islâmico do Egito, alertou ontem o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, para que a Turquia não tente dominar o Oriente Médio, apesar de todo o entusiasmo que o giro de Erdogan pelo Norte da África provocou nos países da primavera árabe.

O premiê turco desembarcou no Egito na segunda-feira, onde se reuniu com o governo interino que assumiu após a queda de Hosni Mubarak. Erdogan chegou ontem à Tunísia, e visitará a Líbia até o fim da semana.

Antes de deixar o Egito, Erdogan foi recebido pela Irmandade Muçulmana, grupo ilegal na era Mubarak que hoje é o principal partido de oposição do país. "Recebemos a Turquia e Erdogan como um líder proeminente, mas não acreditamos que o país deva liderar sozinho nem traçar um futuro para a região", afirmou Essam el-Arian, vice-presidente do Partido Liberdade e Justiça, ligado à Irmandade.

Fontes da chancelaria turca disseram que Erdogan respondeu afirmando que está disponível para ajudar caso o Egito peça. "Não estamos dizendo que chegamos e vamos ensinar como fazer as coisas, queremos ajudar se vocês quiserem ajuda."

O partido de Erdogan, de raízes islâmicas, tornou-se um modelo para a Irmandade e outros partidos religiosos para as próximas eleições egípcias. Apesar disso, a velha guarda da Irmandade não tem a mesma admiração por Erdogan que os partidários mais jovens.

O grupo radical ainda cumprimentou Erdogan por sua dura posição contra Israel, apoiando a criação do Estado palestino e o fim do embargo israelense contra a Faixa de Gaza. Turquia e Israel reduziram relações após o ataque israelense contra a flotilha turca que levava ajuda humanitária a Gaza. Erdogan foi muito elogiado por países árabes por sua retórica anti-Israel. / EFE e REUTERS

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