Irmão de engenheiro seqüestrado no Iraque espera pelo pior

Nem a notícia de que um "líder-chave" do grupo terrorista Ansar al-Sunna, ligado à rede Al-Qaeda, chefiada por Osama Bin Laden, foi preso, na última sexta-feira, 22, perto de Bagdá, conseguiu renovar as esperanças da família do engenheiro brasileiro João José Vasconcellos, funcionário da construtora Odebrecht, seqüestrado no dia 19 de janeiro de 2005, no Iraque. A longa espera por notícias que poderiam levar ao paradeiro do brasileiro fez com que parte da família não acreditasse mais na possibilidade de o engenheiro ainda estar vivo.No sábado, 23, o governo iraquiano informou que as forças do país e dos Estados Unidos haviam capturado Muntasir Muhammad al-Jaburi e dois de seus assistentes, em Muqdadiya, a 90 quilômetros de Bagdá. Responsável por inúmeros ataques e assassinatos, o grupo sunita é ligado à outra organização terrorista, a Saraia al-Mujahedin, que assumiu no ano passado a responsabilidade pelo seqüestro do engenheiro brasileiro. Vasconcellos foi capturado, durante um ataque de extremistas iraquianos contra o carro em que viajava nas proximidades de Beiji, a 250 quilômetros ao norte da capital iraquiana. Ele se dirigia para o aeroporto, para deixar o país.Assim que receberam a notícia, representantes do Itamarati entraram em contato com os familiares do engenheiro brasileiro. "O governo brasileiro vem nos mantendo informados sobre os acontecimentos, envolvendo o seqüestro. Porém, esse caso específico, não quer dizer nada. Afinal, não sabemos o grau de envolvimento dessa pessoa na rede. Também não sabemos como isso funciona. Se alguém de outro grupo sabe das ações dos outros e se trocam informações. Então, para nós, esse fato é irrelevante", diz o engenheiro Luis Henrique Vasconcellos, irmão de João José Vasconcellos.O governo brasileiro vinha negociando a repatriação dos restos mortais do engenheiro. Porém, apesar de pessoalmente não acreditar mais que o irmão esteja vivo, Luis Henrique diz que à família não vai aceitar oficialmente a hipótese de que ele tenha sido assassinado, até que o caso esteja totalmente esclarecido. "Parte da família ainda mantém esperanças. Mas, pessoalmente, não acredito mais. E, como até hoje não ficou comprovado que ele realmente foi morto, não podemos encerrar a questão. Para isso, precisamos que o caso seja resolvido", explica Luis Henrique.

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