Irmão de líder das Farc morto dá apoio a Santos

Guerrilheiro Alfonso Cano morreu em 2011 em ação ordenada pelo presidente colombiano; parente diz querer 'superar a guerra'

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2014 | 02h04

Enquanto seu concorrente Óscar Iván Zuluaga continuava doente, o presidente da Colômbia e candidato à reeleição, Juan Manuel Santos, obtinha um apoio inusitado ontem, em seu último evento público de campanha.

O vereador Roberto Sáenz, irmão de Alfonso Cano, líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) morto por ordem do próprio presidente em 2011, declarou que votará em Santos "com o coração" em razão do empenho no processo de paz com as guerrilhas.

"Temos de superar a guerra, e o perdão deve fazer parte desse processo. Nós temos diferenças em muitos temas, mas acompanho o senhor do fundo do meu coração", afirmou Sáenz, em cerimônia de apoio de organizações ambientalistas e indígenas à reeleição de Santos. "Eu perdoei Santos (por haver matado seu irmão). Mas não me esqueço disso", completou mais tarde ao Estado.

Santos se disse comovido com a declaração de Sáenz. "Eu ordenei a morte de seu irmão", afirmou. Alfonso Cano, nome de guerra de Guillermo León Sáenz Vargas, era conhecido como o ideólogo das Farc. Desde a morte do fundador da guerilha, conhecido como Manuel Marulanda, em 2008, ocupava o comando dessa guerrilha. Cano foi alvo de um ataque do Exército quando se refugiava numa das regiões de maior ação das Farc. Na ocasião, Santos anunciou que a morte de Cano havia sido "o maior golpe da história contra a guerrilha".

Sáenz conta não ter seguido o caminho do irmão por não acreditar na luta armada. Algumas vezes, teve contato com Cano. Mas quando soube de sua morte, passou quase dois meses encerrado em sua casa, deprimido. Agora, se mostra contente de ver as Farc envolvidas no processo de paz. Com Zuluaga, acredita ser difícil continuar a negociação. "Minha motivação para apoiar Santos é a chance de ele alcançar a paz. Ele está cumprindo seu compromisso. Sobre o resto, vamos discutir", afirmou. "Zuluaga, se eleito, vai acabar com a negociação e virá com violência mais brutal."

A campanha de Zuluaga praticamente desapareceu desde quarta-feira, quando amanheceu sem voz e foi diagnosticado com laringite crônica. Seu padrinho político, o ex-presidente Álvaro Uribe, prosseguiu com a estratégia de campanha. Mas não foi visto em público.

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