Stringer/REUTERS
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Irmão de Macri nega pagamento de subornos para explorar estradas argentinas

Investigação chegou na família do presidente argentino e busca relações com os ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 16h13

BUENOS AIRES - Gianfranco Macri, irmão do presidente da Argentina, Mauricio Macri, negou nesta quinta-feira, 13,  ter feito pagamento de subornos para a realização de estradas. A declaração foi feita diante da Justiça em uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção integrado por dezenas de empresários e ex-funcionários dos governos Kirchner, conhecido como "cadernos da corrupção".

Gianfranco Macri apresentou um texto ao juiz federal Claudio Bonadío, que havia intimado o jovem junto com o pai, Franco Macri, um dos empresários mais importantes do país. Ele não compareceu por problemas de saúde. Na saída do tribunal, o irmão do presidente disse aos jornalistas: “nunca em minha vida paguei um suborno”.

O juiz Bonadio citou os Macri em uma investigação sobre uma rede de corrupção em que dezenas de empresários são suspeitos de terem pago subornos milionários a funcionários do governo de Néstor Kirchner (2003-2007) e sua sucessora e mulher, Cristina Fernández Kirchner (2007-2015), para obter contratos nas áreas de infraestrutura e transportes.

A citação do empresário octogenário e de seu filho segue as declarações de Claudio Uberti, ex-titular do Órgão de Concessões Viárias, já condenado. Ele afirmou que os empresários pagavam a ele periodicamente para explorar vários corredores viários com sistemas de pedágio.

Bonadío deve decidir nos próximos dias se processa ou não Macri, que, segundo a imprensa local, diz não ter controle sobre as decisões das concessionárias de negócio nos períodos em que alegadamente pagou o suborno. Ele ressaltou que não exerceu um cargo gerencial ou operacional e que o grupo dos Macri não tinham relações econômicas entre si.

Cristina Kirchner, atualmente senadora da oposição, foi processada pelo magistrado como suposta chefe de uma associação ilícita que arrecadou milhões de dólares de diretores de empresas.

Parte desse dinheiro, segundo o juiz, havia sido empregado durante o kirchnerismo para as campanhas políticas. A ex-presidente nega todas as acusações e apelou a medida, que deve ser revisada em segunda instância. Ainda assim, sustenta que as afirmações que a colocaram foram conseguidas sob coação.

Segundo Bonadio, o dinheiro ilegal também foi usado  para comprar juízes, realizar espionagem política e engrossar o patrimônio de Cristina e seu marido, morto em 2010.

Entre os processados, estão executivos de grandes empresas como Angelo Calcaterra, primo do presidente Macri e antigo dono de uma construtora, e Paolo Rocca, um dos empresários mais importantes do país e titular da gigante de construção e engenharia Techint. / AP

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