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Irmão de presidente afegão nega receber dinheiro da CIA

Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, negou ontem que tenha recebido pagamentos regulares da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) nos últimos oito anos. Citando funcionários e ex-funcionários norte-americanos, o jornal "The New York Times" publicou na terça-feira que a CIA paga a Ahmed Karzai por uma série de serviços, dentre eles a ajuda no recrutamento de forças paramilitares afegãs que operam sob comando da CIA dentro e fora de Kandahar. Ahmed Karzai chamou a informação de "ridícula".

AE-AP, Agencia Estado

29 de outubro de 2009 | 10h56

"Eu trabalho com os norte-americanos, com os canadenses, com os britânicos, qualquer um que pedir ajuda. Eles (a CIA) fazem seu próprio recrutamento. Eu não faço ideia de onde eles conseguem seus recrutas. Isso é absolutamente ridículo", disse. Os laços da CIA com Ahmed Karzai, que é suspeito de participar do comércio ilegal de ópio, criou grandes discórdias entre os integrantes do governo Obama, segundo o "The New York Times". As suspeitas de que Ahmed Karzai está envolvido no comércio de drogas circula há meses em Cabul. Ele nega as acusações.

Críticos dizem que os laços com Ahmed Karzai complicam o tenso relacionamento dos Estados Unidos com seu irmão mais velho, o presidente Hamid Karzai. As práticas da CIA também sugerem que o governo norte-americano não está fazendo tudo o que pode para reprimir o comércio de drogas no Afeganistão, que é a principal fonte de renda para o Taleban.

Alguns funcionários norte-americanos argumentam que a confiança em Ahmed Karzai, figura central no sul do país, onde o Taleban domina, prejudica as ações norte-americanas para a construção de um governo central efetivo que possa manter a lei e a ordem e permitir a retirada dos EUA do país.

Segundo o jornal, Ahmed ajuda a CIA a administrar um grupo paramilitar Força de Ataque de Kandahar, que é usado em incursões contra insurgentes e terroristas, de acordo com funcionários norte-americanos. Ele também seria pago para permitir que as tropas das operações especiais da CIA e dos EUA aluguem um grande complexo fora da cidade, onde também está localizada a base da Força de Ataque de Kandahar, diz o jornal. Além disso, Ahmed Karzai ajudaria a CIA a se comunicar e, às vezes, reunir-se com afegãos leais ao Taleban. O porta-voz da CIA George Little se recusou a falar sobre a reportagem.

Eleições

Os afegãos vão às urnas no dia 7 de novembro para o segundo turno das eleições presidenciais, disputada entre Hamid Karzai e o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah. A votação foi decidida depois que auditores, apoiados pela ONU, desconsideraram quase um terço dos votos dados a Hamid Karzai no pleito de 20 de agosto, o que reduziu o porcentual conquistado pelo presidente para menos do que o necessário para um vitória no primeiro turno.

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