Irmão de Ramos-Horta acusa forças da ONU de serem 'covardes'

Arsénio Ramos-Horta, irmão do presidentede Timor Leste, José Ramos-Horta, descreveu na quinta-feira asforças de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) como"malditos covardes" e disse que os membros dela se esconderamem vez de protegerem o líder do país ferido por rebeldes. O irmão do presidente, que viajou até Darwin, Austrália,para visitar o irmão que acabava de passar por uma cirurgiadevido aos dois tiros que recebeu em um atentado, disse tersegurado o líder timorense nos braços após os soldados da ONUterem se recusado a ajudar. Ramos-Horta, vencedor do Nobel da Paz, teve o pulmãodireito destruído no ataque realizado por insurgentes. "Eles deveriam ter vindo imediatamente, sem perder tempo.Eles se comportaram como malditos covardes", disse o irmão dodirigente à Reuters. Arsénio Ramos-Horta encontrava-se no complexo presidencialquando aconteceu, na segunda-feira, um tiroteio entre a guardapresidencial e militares rebeldes comandados por AlfredoReinado, que foi morto na ação. A ONU rejeitou as acusações de que seus homens deixaramRamos-Horta sangrando por mais de 30 minutos sem ajudá-lo. Aentidade divulgou registros mostrando que tinham se passadoapenas dois minutos entre o momento em que o presidente foiachado e a chegada de uma ambulância. O registro mostra que a primeira chamada de emergência foirecebida às 6h59 em Dili e que a polícia da ONU chegou ao localàs 7h15, localizando o presidente dentro do complexo perto deuma cerca de bambu às 7h23. A ambulância chegou às 7h25. Mas, segundo Arsénio Ramos-Horta, os homens da ONUrecusaram-se a oferecer ajuda quando compareceram ao local eque não deixaram a proteção de bloqueios de rua instaladosperto da residência oficial. "Eles deveriam ter feito alguma coisa em vez de ficarem nosbloqueios de rua", disse. "Se tivessem feito isso, hoje ele nãoestaria em um estado tão grave." O estado de Ramos-Hora é grave mas estável. Ele estáinternado no Hospital Real Darwin, na Austrália. O chefe das Forças Armadas de Timor Leste,brigadeiro-general Taur Matan Ruak, também exigiu que as forçasde segurança internacionais explicassem como os soldadosrebeldes conseguiram atacar Ramos-Horta e o primeiro-ministroXanana Gusmão, que saiu ileso. Segundo Ruak, houve uma "falta de competência" da parte dasforças de segurança internacionais, das quais participam 1.100soldados australianos e neozelandeses bem como 1.600 policiaisda ONU vindos de 40 países. O chanceler da Austrália, Stephen Smith, prometeu realizaruma investigação ampla a respeito do que ocorreu. Em Dili, o procurador-geral de Timor Leste, LonginhosMonteiro, afirmou ter expedido mandados de prisão para seispessoas suspeitas de envolvimento nos ataques, elevando para 24o número total de acusados formalmente de cumplicidade nosatentados. A polícia ainda não prendeu ninguém. Dili experimentava uma atmosfera de tranquilidade naquinta-feira, um dia depois de o Parlamento ter decididoprorrogar por mais dez dias, até 23 de fevereiro, o estado deemergência decretado na segunda-feira. (Reportagem adicional de Tito Belo e Ahmad Pathoni em Dili,e Rob Taylor em Canberra)

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