Orlando Sierra/ AFP
Orlando Sierra/ AFP

Irmão do presidente de Honduras é detido em Miami

Governo hondurenho não confirmou motivo da detenção; em 2015, traficante acusou Juan Antonio Hernández de ter recebido suborno

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2018 | 03h53

TEGUCIGALPA - Juan Antonio Hernández, irmão do presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, foi detido nesta sexta-feira, 23, em Miami, nos Estados Unidos. De acordo com comunicado do governo hondurenho, as causas para o ocorrido ainda são desconhecidas.

A nota afirma que toda pessoa tem direito à legítima defesa e presunção de inocência, mas ressalta que ninguém terá privilégios por ser parente do presidente.

"O presidente da República reitera o que disse em 24 de outubro de 2016: 'Durante este governo, quem tiver sido assinalado pela justiça não tem, não teve e nem terá nenhum tipo de concessões ou privilégios, sejam correligionários, meus próprios parentes, funcionários de governo ou cidadãos de outros países”, diz o texto.

Em março do ano passado, quando era deputado no parlamento de Honduras, Juan Antonio Hernández negou acusações de que teria subornado para que o governo agilizasse o pagamento de uma empresa do cartel Los Cachiros.

As acusações foram feitas pelo traficante de drogas Devis Leonel Rivera em um tribunal de Nova York, onde ele está preso desde 2015.

Segundo as autoridades hondurenhas, Rivera, ex-líder do desmantelado cartel Los Cachiros e que confessou ter causado a morte de 78 pessoas em Honduras, se entregou às autoridades nos EUA porque soube que estava a ponto de ser capturado no país natal.

Segundo versões de fontes de Nova York, Rivera declarou que subornou Juan Antonio Hernández, sem detalhar a quantia, entre 2013 e 2015 para que o governo hondurenho agilizasse uma dívida pendente com uma empresa do cartel utilizada para lavar dinheiro. O cartel operou livremente durante vários anos em Honduras sem que nenhuma autoridade o perseguisse.

Em 2017, Rivera também delatou como envolvido em atividades de narcotráfico o ex-presidente hondurenho Porfirio Lobo (2010-2014) e o então assessor de segurança Julián Pacheco - que agora é ministro de Segurança -, dois deputados e um prefeito. \ EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.