Irmãos de Karzai sobrevivem a ataque a bomba

Suicida detona explosivos escondidos em turbante durante cerimônia em Kandahar pela morte de meio-irmão do presidente, deixando 5 mortos

, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2011 | 00h00

KANDAHAR, AFEGANISTÃO

Um ataque suicida matou ontem 5 pessoas e feriu outras 15 na Mesquita Vermelha de Kandahar, no sul do Afeganistão, pouco depois de o líder religioso conduzir a última reza pela morte do meio-irmão do presidente Hamid Karzai, Ahmed Karzai, assassinado na terça-feira. O governador da província e quatro irmãos do presidente estavam presentes na cerimônia, mas escaparam do ataque.

O homem-bomba conseguiu se infiltrar na cerimônia com explosivos escondidos no turbante, expondo mais uma vez a fragilidade da segurança do governo afegão, num momento em que as tropas dos EUA se preparam para deixar o país. O ataque ocorreu apenas dois dias depois de Ahmed Karzai, chefe do conselho provincial de Kandahar, ser assassinado em casa por um de seus seguranças.

"O atentado foi muito, muito, muito próximo", disse Mahmud Karzai, outro irmão do presidente. Ele calcula que estava a pouco mais de seis metros do homem-bomba. "Ele não nos reconheceu. Foi um milagre sairmos dessa vivos."

Mahmud acusou o Paquistão pelo ataque. "Por quanto tempo os afegãos e os americanos vão continuar fingindo? Por que temos tanta paciência com o Paquistão? Eles são realmente tão poderosos assim?", disse ele, em tom ameaçador.

O presidente Karzai, que estava no enterro do irmão na quarta-feira, mas não foi à cerimônia, classificou o ataque de "um ato contra o Islã e um crime contra a humanidade, sem justificativa em nenhuma religião ou setor".

Segundo o motorista Gul Mohammad, de 40 anos, que assistiu à cerimônia, houve pânico depois da explosão e muitos dos convidados fizeram um cordão de segurança em volta da família Karzai e a escoltaram para fora da mesquita.

Entre os mortos estava o prinipal clérigo de Kandahar, Mawlavi Hekmatullah, segundo as autoridades locais. Ministros e outros funcionários de alto escalão do governo que viajaram de Cabul a Kandahar especialmente para a ocasião também sobreviveram ao ataque. / WASHINGTON POST

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