Remo Casilli/Reuters
Remo Casilli/Reuters

Irritado, Berlusconi insulta país que dirige

Declaração foi feita a empresário que teria extorquido dinheiro de premiê

, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2011 | 00h00

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, está se sentindo injustiçado e pensa em deixar o país. Em conversas gravadas com autorização da Justiça, e publicadas pelo diário Corriere della Sera, Berlusconi reclama com o empresário Walter Lavitola sobre o tratamento que recebe da Justiça e da mídia. "Estou enojado. Vou embora deste país de merda.", disse o premiê. Berlusconi também garantiu que é honesto. "Não faço nada que possa ser considerado um delito. Tudo o que se pode dizer é que faço sexo."

O governante, que responde a cinco processos na Justiça italiana por corrupção, abuso de poder e prostituição de menores, viu-se envolvido num novo escândalo judicial, mas agora no papel de vítima. A polícia prendeu ontem duas pessoas, e busca mais uma, acusadas de extorquir dinheiro dele.

Segundo as investigações da Procuradoria de Nápoles, o empresário Giampaolo Tarantini , amigo de Berlusconi, e a mulher dele, Angela Devenuto, foram pagos para não complicar o primeiro-ministro nas investigações sobre a contratação de prostitutas para orgias. Eles foram auxiliados por Lavitola, o empresário a quem Berlusconi fez os desabafos que foram grampeados.

"Foram encontrados indícios consistentes de repetidos pagamentos para o casal Tarantini, em dinheiro e em benefícios de natureza financeira", disse a Procuradoria de Nápoles. "Os pagamentos ao casal Tarantini eram feitos por meio de práticas obscuras que envolviam o senhor Lavitola."

Em 2009, Tarantini admitiu ter contratado Patrizia D"Addario, uma garota de programa de luxo, para ir a duas festas de Berlusconi e passar a noite com o premiê. Ele está sendo investigado por supostamente favorecer a prostituição pela Promotoria de Bari.

Segundo o procurador Francesco Greco, Berlusconi assumiu as despesas judiciais de Tarantini. Em troca, o empresário faria um acordo com a Justiça para evitar um julgamento que poderia trazer à tona detalhes inconvenientes sobre as festas do premiê. O magistrado não divulgou os números da extorsão, mas, segundo a revista Panorama, Tarantini teria recebido 500 mil.

"Apenas ajudei a uma família que estava em sérias dificuldades", disse Berlusconi à revista. O premiê também está sendo julgado pela Justiça de Milão por pagar para ter relações sexuais com a marroquina Karima el-Mahroug e por usar sua influência para libertá-la depois de ela ter sido detida por furto.

O Ministério Público, frequentemente acusado pelo premiê de agir politicamente contra ele, lembrou que neste caso Berlusconi é vítima, não acusado. O procurador-chefe de Nápoles, Domenico Lepore, disse que desta vez o premiê não pode se colocar como vítima dos promotores: "Agora somos nós que estamos defendendo Berlusconi". /AP e EFE

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