Islamabad anuncia recuo de militantes do Taleban

O governo do Paquistão anunciou ontem que o Taleban começou a desocupar o Distrito de Buner, a apenas 100 quilômetros de Islamabad, e os militantes estavam voltando a seu enclave no distrito vizinho do Vale do Swat sem impor nenhuma condição. Uma TV local divulgou imagens de dezenas de homens mascarados e armados deixando a região. Mas organizações não-governamentais afirmam que a retirada é apenas "uma manobra tática" e os rebeldes ainda mantêm o controle do distrito, podendo retomar a ocupação quando desejarem. Durante três dias, cerca de 500 rebeldes fortemente armados patrulharam as ruas de Buner, ocuparam prédios públicos e instalaram barreiras nas estradas. Na tentativa de conter o avanço do Taleban, o governo paquistanês enviou entre quarta e quinta-feira oito pelotões de paramilitares. Ocorreram alguns confrontos, mas a retirada dos taleban começou sem que ocorressem grandes combates.O administrador da região, Syed Mohammed Javed, afirmou que o clérigo Sufi Mohammad convenceu os talebans a voltar ao Vale do Swat. "Falamos a eles que já tínhamos um acordo de paz", afirmou Javed à Associated Press. Em fevereiro, Islamabad concordou em impor a Sharia (lei islâmica) no Vale do Swat em troca de um cessar-fogo, mas o grupo quer que a lei seja válida em todo território paquistanês. Comandantes taleban afirmaram que seus militantes estavam simplesmente defendendo a Sharia de forma pacífica em Buner e enfatizaram que estão deixando a região "por vontade própria", não por causa de pressão. PRINCIPAL INIMIGOEm Washington, o general David Petraeus, o mais alto comandante militar dos EUA para a região, disse ontem em depoimento ao Congresso que o Exército paquistanês deveria se concentrar mais no combate às forças do Taleban do que no inimigo tradicional do Paquistão, a Índia. Petreaus pediu à Câmara que aprove uma ajuda ao Exército do Paquistão. O governo do presidente Barack Obama teme que Islamabad fracasse no combate aos extremistas, que estão cada vez mais próximos do centro de um país que tem armas nucleares. Os EUA consideram a eliminação de redutos do Taleban, Al-Qaeda e outros grupos extremistas no Paquistão como ponto essencial para o sucesso na guerra no vizinho Afeganistão.A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também já expressou sua preocupação com a ameaça extremista em território paquistanês. "Nunca se destacará o suficiente a seriedade da ameaça representada pelos contínuos avanços dos taleban no Paquistão", disse Hillary.

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