Islamabad critica estratégia dos EUA no Afeganistão

Temor é que ofensiva no país vizinho empurre os taleban para seu território

Eric Schmitt e Jane Perlez, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

23 de julho de 2009 | 00h00

O governo do Paquistão disse ontem que é contra a intensificação das operações de combate dos EUA no vizinho Afeganistão, criando novas fissuras na aliança com Washington em um momento crítico, em que milhares de soldados americanos chegam à região. Autoridades paquistanesas disseram ao governo do presidente Barack Obama que o combate entre as tropas estrangeiras e o Taleban, no sul do Afeganistão, empurrará os militantes para o outro lado da fronteira com o Paquistão. O movimento tem o potencial de desestabilizar ainda mais a turbulenta Província do Baluquistão, segundo funcionários do serviço secreto paquistanês. O Paquistão não dispõe de um número suficiente de soldados para enviar ao Baluquistão e combater o Taleban sem deixar desprotegida a fronteira com a arqui-inimiga Índia. O interesse nacional do Paquistão está no diálogo com o Taleban, e não na intensificação da luta. O comunicado paquistanês deixa claro que o país considera a Índia sua maior prioridade - ainda que os EUA reforcem o combate aos insurgentes com soldados e recursos próprios. Os militantes do Taleban são encarados como um problema sobre o qual é possível negociar. As autoridades paquistanesas têm consciência de que, no longo prazo, depois que os EUA deixarem a região, o Taleban afegão pode ser um aliado de Islamabad, como já ocorreu no passado. Os representantes do governo paquistanês expuseram opiniões muito diferentes daquelas expressadas por funcionários de Washington em relação à ameaça representada pelos comandantes do Taleban, alguns dos quais teriam se refugiado no lado paquistanês da fronteira, segundo os EUA. DESINTERESSEAs recentes operações do Exército do Paquistão contra insurgentes do Taleban, no Vale do Swat e em partes das áreas tribais, pouco fizeram para aproximar essas opiniões tão divergentes. Apesar de elogiar a ofensiva no Afeganistão, o governo Obama expressa frustração a respeito da indisposição paquistanesa em agir contra todos os militantes islâmicos extremistas que utilizam o país como base de operações. Em vez disso, dizem os americanos, o Paquistão decidiu combater apenas os membros do Taleban paquistanês que representam uma ameaça ao governo de Islamabad, enquanto ignora os militantes que combatem os americanos no Afeganistão ou promovem o terrorismo na Índia.

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