Islâmicos acusam diplomata dos EUA de sabotar acordo no Paquistão

Uma aliança de seis partidos fundamentalistas islâmicos que demonstrou força nas eleições parlamentares do Paquistão acusou a embaixadora dos Estados Unidos no país de sabotar o processo político, para manter os religiosos afastados de uma coalizão de governo."Estávamos muito próximos de assinar um acordo com o Partido do Povo do Paquistão, mas de repente a embaixadora norte-americana Nancy Powell entrou em ação e nossas negociações fracassaram", denunciou Ameer ul-Azeem, porta-voz da Frente de Ação Unida, à Associated Press.John Kincannon, porta-voz da Embaixada dos EUA no Paquistão, negou que Nancy Powell tenha desempenhado qualquer função em negociações políticas internas: "Os Estados Unidos apóiam o processo democrático no Paquistão. Trabalharemos com qualquer governo que seja formado por meio de consultas com os partidos políticos paquistaneses."Os comentários de Azeem vieram à tona uma semana depois de a Aliança para a Restauração da Democracia - formada por 15 partidos e da qual o Partido do Povo do Paquistão, da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, é o principal expoente - ter avisado que estava prestes a firmar as bases de um acordo para formar uma coalizão de governo com o bloco islâmico.Um partido aliado ao presidente general Pervez Musharraf foi o mais votado nas eleições de 10 de outubro. Entretanto, não obteve a maioria das 342 cadeiras do Parlamento. O partido de Bhutto ficou em segundo. A coalizão islâmica obteve um surpreendente terceiro lugar e, desde então, desempenha o papel de fiel da balança para a formação do novo governo.

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