Islâmicos do Egito dizem que não buscam confronto com militares

A Irmandade Muçulmana do Egito declarou nesta terça-feira que não quer um confronto com os generais no poder, mas disse que as forças armadas não têm o direito de limitar os poderes presidenciais, depois de uma eleição que o grupo diz que seu candidato venceu.

DINA ZAYED E TAMIM ELYAN, REUTERS

19 de junho de 2012 | 16h13

A campanha de Ahmed Shafik, o ex-militar que disputava o segundo turno com Mohamed Morsy, da Irmandade, também alegou vitória na disputa. Os resultados oficiais da eleição realizada no fim de semana não devem ser anunciados antes de quinta-feira.

O conselho militar, que assumiu o poder quando o ex-presidente Hosni Mubarak foi derrubado no ano passado, emitiu um decreto de última hora assumindo os poderes legislativos até que um novo Parlamento seja eleito, e mantendo o controle das questões militares.

O decreto foi anunciado no domingo enquanto a contagem da eleição presidencial estava em andamento. Dias antes, o Exército havia implementado uma decisão judicial para dissolver o Parlamento liderado pelos islâmicos, tirando da Irmandade sua maior conquista desde que Mubarak foi derrubado.

Milhares de egípcios se reuniram nesta terça-feira na Praça Tahrir, no centro do Cairo, e em frente ao prédio do Parlamento para protestar contra o decreto do Exército. Os manifestantes também se reuniram em Alexandria, a segunda maior cidade do Egito.

Isso aconteceu depois que a Irmandade, apoiada por outras facções, incluindo grupos ultraortodoxos como os salafistas, pediu um comício de massa.

"Não buscamos nenhum confronto com ninguém e ninguém no Egito quer confronto", disse Yasser Ali, porta-voz da campanha de Morsy.

"Tem que haver diálogo entre as forças nacionais, e só o povo deve decidir seu destino", ele disse em entrevista coletiva, mas acrescentou: "Ninguém no Egito está acima do Estado e da Constituição... Todos devem se curvar à vontade popular".

A campanha de Morsy reiterou as alegações de que o candidato da Irmandade havia garantido 52 por cento dos votos no segundo turno, realizado no sábado e domingo, contra 48 por cento para Shafik, que foi o último primeiro-ministro de Mubarak.

"Estamos falando de fatos e documentos e não de indicadores ou especulação. É isso que é diferente do que o outro partido diz a vocês", disse Ali, distribuindo números que o grupo havia reunido dos seus registros da contagem. Os números diferiam levemente dos anunciados na segunda-feira.

"Não há sombra de dúvida de que esses números serão os números que o comitê eleitoral anunciará", ele disse. "Pode haver leves mudanças depois de apelos de ambos os partidos, mas estamos confiantes no que dizemos".

A campanha de Shafik também fez uma coletiva de imprensa para reafirmar que havia ganhado, dizendo que ele teve 51,5 por cento dos votos.

"Iremos até o ponto máximo legal possível para confirmar o fato de que Shafik lidera os resultados e confirmar que ele é o próximo presidente do Egito", disse o porta-voz Karim Salem.

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