Islâmicos e grupo pró-democracia unem-se no Paquistão

Partidos radicais islâmicos e um bloco pró-democracia anunciaram ter chegado a um acordo que lhes daria a maioria parlamentar necessária para formar um governo de coalizão e possivelmente apontar um clérigo pró-Taleban como primeiro-ministro. Entretanto, a situação política do Paquistão ainda é incerta. Aliados do presidente, general Pervez Musharraf, recusaram-se a admitir a derrota, dizendo que ainda estão trabalhando para formar uma maioria.Os partidos religiosos e pró-democracia anunciarão amanhã sua escolha para primeiro-ministro, mas autoridades nos dois campos adiantaram que o escolhido seria Fazl-ur Rahman, líder do Jamiat-e-ulema Islam, ou Partido dos Clérigos Islâmicos.A facção Quaid-e-Azam, da Liga Muçulmana Paquistanesa, pró-Musharraf, conquistou a maior parte das cadeiras nas eleições de 10 de outubro, mas não conseguiu a maioria no Parlamento, e os partidos têm, desde então, trabalhado para formar uma coalizão.O grupo de partidos religiosos, chamado Fórum da Ação Unida, ou Muthida Majlis-e-Amal, acabou em terceiro, apoiado numa plataforma antiamericana e pró-Taleban."Chegamos a um acordo com líderes do Muthida Majlis-e-Amal para formar um governo de coalizão", anunciou Nawabzada Nasrullah Khan, líder da Aliança para a Restauração da Democracia, de 15 partidos, numa entrevista na capital federal, Islamabad, depois de conversações com o grupo religioso. "Temos uma maioria para formar um governo de coalizão".Os dois grupos concordaram em indicar Rahman para primeiro-ministro, disse Riaz Durrani, um porta-voz dos clérigos islâmicos.AtentadoDois pacotes-bomba foram deixados hoje numa delegacia da polícia paquistanesa na província de Sindh, no sul do País. Uma das bombas explodiu e feriu dois policiais, um deles gravemente, informaram autoridades locais.Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo atentado contra a delegacia de Kandh Kot, 400 quilômetros ao sul de Karachi, capital de Sindh. O chefe da polícia de Karachi, Sayed Kamal Shah, afirmou que somente uma das bombas explodiu. Segundo ele, a outra foi descoberta antes da detonação. Não havia sinais de identificação.Shah recusou-se a especular sobre possíveis autores do atentado e não informou quais foram os explosivos utilizados.

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