Islâmicos egípcios e Exército estão em rota de colisão

Cenário: Mariam Fam / Bloomberg

/ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO , O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2011 | 03h05

A Irmandade Muçulmana, que caminha para uma vitória histórica no Egito, terá de arrebatar o poder dos generais para atender às expectativas de eleitores. O Partido Justiça e Liberdade, braço político do grupo, lidera as eleições com uma plataforma que inclui corte do déficit orçamentário, subsídios aliados à geração de empregos na indústria e nos setores agrícola e de tecnologia da informação, e a volta dos investidores que fugiram do país por causa dos confrontos da Primavera Árabe. Mas, para isso, o partido precisará de uma assembleia forte.

"A Irmandade deseja um Parlamento forte, para usá-lo como agente de mudança, mas o conselho militar quer o contrário", disse Shadi Hamid, diretor de pesquisa do Brookings Institution, no Catar. "Será uma disputa entre a Irmandade e o Exército."

"Rejeitamos qualquer tipo de custódia sobre o Parlamento", afirmou Mohammed el-Beltagy, do Justiça e Liberdade. Mas os militares já disseram que ficarão no poder até uma nova Constituição ser elaborada e um presidente ser eleito, no final de junho.

Para El-Beltagy, o Parlamento deve ter o direito de formar o governo. "Tivemos uma revolução e por isso podemos exigir plenos poderes para o Parlamento, o governo e o presidente", afirmou. "É isso que significa a transferência de poder para uma autoridade civil."

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