Islamita e ex-premiê devem ir para 2º turno no Egito

Resultados parciais da eleição presidencial no Egito indicavam nesta sexta-feira a realização de um segundo turno entre o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, e o ex-primeiro-ministro do presidente deposto Hosni Mubarak, Ahmed Shafiq, segundo dados do grupo islamita.

AE, Agência Estado

25 Maio 2012 | 09h22

"Haverá um segundo turno entre Mohammed Mursi e Ahmed Shafiq," diz a Irmandade em seu site, afirmando que 90% dos votos já foram contados em todo o país. O segundo turno está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

Cinquenta mil eleitores estavam capacitados para votar nos 12 candidatos presidenciais inscritos. Segundo a comissão eleitoral, 50% desses eleitores compareceram às urnas na quarta e quinta-feira.

O segundo turno será realizado apenas duas semanas antes do prazo estabelecido pelo governo militar interino para a transferência de poder para um governo civil. A segunda fase da eleição presidencial vai representar um grande teste para a emergente democracia do Egito. O resultado vai mostrar se a revolução ocorrida no ano passado se transformou num golpe de Estado islâmico ou num mero levante cujos resultados foram frustrados por membros do antigo regime.

Os dois candidatos que devem seguir para a etapa final da eleição representam ideologias políticas opostas, que têm o apoio de poderosas máquinas políticas. Mas a corrida também deve deixar de lado parcelas da população egípcia que não se identificam nem com os islamitas conservadores nem com o antigo regime.

"O resultado é indefinido, porque muitas pessoas não irão às urnas", disse Hani Shukrallah, analista político e editor do site de notícias estatal Al Ahram Online.

Shafiq, ex-general da Força Aérea e último primeiro-ministro de Mubarak antes de sua queda em fevereiro do ano passado, fez uma campanha cara, que apresentou indícios de ter o apoio oficial do governo militar e da mídia estatal. Ele se recusou a pedir desculpas por uma entrevista concedida em 2010 na qual descreveu Mubarak como um modelo a ser seguido. Alguns eleitores jogaram pedras e sapatos quando ele foi votar, na quarta-feira.

Já a campanha de Morsi deixou clara a extraordinária capacidade da Irmandade de mobilizar suas fileiras. Há apenas duas semanas, Morsi sequer figurava entre os quatro principais candidatos. As informações são da Dow Jones.

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