Islamitas convocam manifestação pró-governo na Tunísia

Partidários dos islamitas que comandam a Tunísia convocaram neste sábado uma manifestação em massa a favor do governo, um dia após o funeral do líder da oposição, Chokri Belaid, assassinado na porta de casa, crime que provocou uma onda de protestos e agravou a crise política no país árabe. O primeiro-ministro, Hamadi Jebali, ameaçou deixar o governo se não puder formar um novo governo e afirmou que os islamitas que ocupam importantes ministérios deveriam deixar o governo.

Agência Estado

11 de fevereiro de 2013 | 19h59

O partido Ennahda convocou seus seguidores a comparecer no centro de Túnis em apoio à assembleia que trabalha na elaboração de uma nova constituição e que sofreu grande revés com a retirada dos partidos de esquerda após o assassinato de Chokri Belaid, um ferrenho crítico dos islâmicos no governo.

Belaid foi morto na porta de sua casa, enquanto saía em direção ao seu trabalho. O responsável pelos disparos fugiu de moto. Manifestantes opositores aos islâmicos acusam o governo de ser responsável pelo assassinato de Belaid, o que o Ennahda nega.

O partido disse que a manifestação deste sábado também protestaria contra a "interferência francesa" no país, devido aos comentários feitos pelo chanceler Manuel Valls, que denunciou o crime contra Belaid como um ataque "aos valores da revolução da Tunísia".

Mas fora de Túnis, grupos de jovens jogaram pedras em escritórios do partido do governo e atacaram postos policiais em várias cidades. O ministro do interior disse que 230 pessoas, entre 16 e 25, foram presas na sexta-feira, dia em que Belaid foi enterrado. O assassino da respeitada figura de oposição desencadeou fúria e seu funeral atraiu milhares de pessoas gritando palavras de ordem contra o governo em Túnis.

A avenida Bourguiba, a mais importante de Túnis, estava movimentada na manhã deste sábado, com a reabertura de cafeterias e lojas depois da greve geral realizada na sexta-feira.

Os confrontos e protestos realizados na sexta colaboraram para uma crescente insatisfação na Tunísia, onde a transição do período ditatorial para a democracia vem enfrentando divisões religiosas, políticas e dificuldades econômicas. A Tunísia foi o primeiro país a se revoltar e derrubar um governo autoritário no contexto da Primavera Árabe , em 2011.

Diante da crise desencadeada com a morte de Belaid, o primeiro-ministro disse que dissolveria o governo atual e formaria um governo tecnocrata para conduzir o país até as eleições, mas o Ennahda, seu próprio partido, rejeitou a ideia logo em seguida.Na sexta-feira, Jebali renovou sua proposta por um novo governo, o que representaria uma concessão de peso para a oposição do país. "Eu estou convencido de que essa é a melhor solução para a atual situação na Tunísia", disse, oferecendo sua renúncia caso a assembleia não aceite sua proposta de gabinete.

Embora Jebali se mostre confiante de que conseguirá o apoio do Ennahda, a rejeição por parte de seu partido expõe as divisões entre os mais moderados e mais conservadores, e não deixa claro como o premiê pretende ter esse apoio.

Este é terceiro dia consecutivo de conflitos no país no Norte da África, que derrubou o governo de Zine El Abidine Ben Ali em janeiro de 2011, dando início à Primavera Árabe. Dois anos depois, o partido moderado islâmico, Ennahda, venceu as eleições e tem governado em uma coalizão com partidos seculares. Entretanto, existem sinais de divisão dentro do partido, que ficaram mais visíveis após a morte de Belaid. As informações são da Dow Jones e Associated Press.

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