Islamitas egípcios apresentam iniciativa de trégua

Os principais líderes de dois ex-grupos militantes do Egito apresentaram uma iniciativa para encerrar o derramamento de sangue no país. Pelo plano, os islamitas deixariam de realizar protestos se o governo parar com a repressão. A proposta salienta como o forte movimento islamita está agora se curvando às sanções severas sem precedentes de autoridades de segurança do país.

AE, Agência Estado

26 de agosto de 2013 | 17h58

A iniciativa, anunciada pelos líderes dos movimentos Gamaa Islamiya e Jihad Islâmica, que participaram da insurgência na década de 1990, tem como objetivo levar os militares e a Irmandade Muçulmana ao diálogo.

O líder do Jihad, Mohammed Abu Samra, disse à Associated Press nesta segunda-feira que as negociações não tem precondições. Anteriormente, os islamitas haviam insistido que o presidente Mohammed Morsi deveria voltar ao cargo como ponto de início das negociações.

A proposta surge após o exército ter detido líderes da Irmandade Muçulmana e outros islamitas na maior onda de violência ocorrida no país e que se seguiu ao massacre na tentativa de desmantelar dois campos de manifestantes que pediam a reintegração do presidente deposto, primeiro líder eleito livremente no Egito.

Críticos disseram que a proposta de trégua reflete o golpe sofrido pela aliança islamita liderada pela Irmandade, cujo principais líderes estão presos ou tiveram de fugir.

"Eles querem diminuir a pressão sobre seus grupos e salvar o barco da Irmandade Muçulmana que está afundando no momento", afirmou o jornalista e analista Makram Mohammed Ahmed. "Estão todos procurando uma saída, mas agora é tarde."

No último sábado, o primeiro-ministro interino do Egito, Hazem el-Beblawi, disse que as medidas de segurança não serão suficientes sozinhas e que o Egito trabalhar a transição democrática por meio da reconciliação.

A violência no Egito está afetando uma de suas maiores fontes de renda, o turismo. O diretor dos Aeroportos Egípcios, Gad el-Karim Nasr, afirmou nesta segunda-feira que os voos estão chegando vazios ao país e que o tráfego de passageiros nas últimas semanas caiu pela metade. Nasr disse que essa queda no número de passageiros deve aumentar no próximo mês após companhias aéreas terem cancelado voos. O diretor não revelou nome das empresas.

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