AFP PHOTO / Haraldur Gudjonsson
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Islândia rompe relações diplomáticas com Moscou e anuncia boicote à Copa do Mundo

Irlanda e Moldávia anunciaram que também expulsarão representantes russos; ministro das Relações Exteriores da Rússia ressaltou que expulsão em massa de diplomatas se deve à ‘pressão e à chantagem colossal’ dos EUA

O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 05h10
Atualizado 27 Março 2018 | 13h53

COPENHAGUE - O governo da Islândia anunciou na segunda-feira 26 a suspensão das relações diplomáticas de alto nível com a Rússia, uma medida que inclui um boicote à Copa do Mundo de 2018, em solidariedade à decisão da premiê britânica, Theresa May, como resposta ao envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e sua filha, Yulia, no sul da Inglaterra.

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"Todos os aliados e parceiros mais próximos da Islândia decidiram tomar medidas contra a Rússia em razão do ataque em Salisbury", escreveu o governo do país em um comunicado. O Reino Unido acusa os russos de serem responsáveis pelo ataque com um agente neurotóxico contra o ex-espião russo.

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"Entre as medidas tomadas pela Islândia está a suspensão temporária do diálogo bilateral de mais alto nível com as autoridades russas. Como consequência, os líderes islandeses não irão à Rússia para a Copa do Mundo", completa o comunicado. A decisão não afeta a participação da Islândia no Mundial.

O governo islandês disse que o envenenamento é uma "grave violação das leis internacionais" e a resposta da Rússia ao Reino Unido foi insuficiente. 

Irlanda

A Irlanda anunciou nesta terça-feira, 27, que expulsará um diplomata russo, assim como diversos países declararam na véspera, disse o ministro das Relações Exteriores, Simon Coveney.

"O Departamento de Assuntos Externos se reuniu com o embaixador da Federação Russa e o informou que a acreditação de um membro de seu gabinete com status diplomático será finalizada, alinhado ao que determina a Convenção de Viena sobre relações diplomáticas. O indivíduo em questão deve deixar a jurisdição", disse Coveney em um comunicado.

A Moldávia também anunciou a expulsão de três diplomatas russo. "A decisão das autoridades da República da Moldávia chega em solidariedade com o Reino Unido e seguindo as conclusões do Conselho Europeu de 23 e 24 de março, que considera o ataque de Salisbury uma ameaça à segurança coletiva e à legalidade internacional", afirmou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores moldavo.

Pressão

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, ressaltou que a expulsão em massa de diplomatas russos de países ocidentais se deve à "pressão e à chantagem colossal" por parte dos EUA.

"Sabemos com toda certeza que é o resultado de uma pressão colossal, uma chantagem colossal, que agora infelizmente é o principal instrumento de Washington na cena internacional", afirmou Lavrov no Uzbequistão, onde participa de uma conferência sobre o Afeganistão, segundo informam os veículos de imprensa russos.

O chanceler acrescentou que na Europa restam poucos "países independentes" e assegurou que a Rússia responderá às medidas adotadas contra sua diplomacia em relação ao caso de Skripal. "Responderemos, não duvidem. Ninguém quer aguentar grosserias como essas, e nós também não as suportaremos.” / EFE e AFP

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