EFE/Massimo Percossi
EFE/Massimo Percossi

Isolada, Amatrice vive dia de pânico

‘Paredes se deslocavam’, diz sobrevivente

Andrei Netto, Enviado Especial / Amatrice, Itália, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2016 | 21h01

Amatrice e Norcia, duas das cidades italianas mais afetadas pelo terremoto que abalou a região de Umbria, ainda estavam isoladas na noite de ontem em razão dos danos causados pelo sismo na infraestrutura. 

Vilarejo de 2,5 mil habitantes, Amatrice teve cerca de dois terços de suas construções destruídas ou seriamente danificadas pelo tremor principal e pelos abalos secundários, que continuaram madrugada adentro. A destruição deixou dezenas de crianças entre as vítimas.

Para chegar ao centro no início da madrugada de hoje, era necessário caminhar sete quilômetros, porque as autoridades não autorizavam a circulação de veículos.

Desalojados, os moradores que sobreviveram à tragédia receberam ordens de deixar suas casas e foram instalados em hotéis e residências da região ou em abrigos de emergência organizados pela defesa civil. 

Tendas de dormitórios, cozinhas e sanitários improvisados foram montados pelas autoridades para garantir um mínimo de estrutura aos sobreviventes. 

“O que está acontecendo é muito triste. Este terremoto matou dezenas e não sabemos quantas estão desaparecidas”, disse ao Estado um morador de Spelonga, cidade vizinha a Pescara del Tronto, também severamente atingida.

No final da noite, grupos de resgate equipados com maquinário pesado chegaram à região para trabalhar nos escombros em busca de sobreviventes, somando esforços aos agentes que já trabalham com o auxílio de cães farejadores. 

Ao jornal Il Fato Quotidiano, um fotógrafo morador da cidade descreveu o pânico causado pelo tremor e pela destruição em Amatrice. “Foi um pesadelo. Nós fomos acordados com móveis que caíam e paredes que haviam se deslocado um metro”, contou.

“Nós conseguimos sair correndo, algumas pessoas ainda com roupas íntimas. Acendemos um fogo na praça central e fomos ajudar as pessoas idosas a deixar suas casas”, acrescentou. 

Na tentativa de auxiliar os sobreviventes, não foi possível contar com o Hospital Grancesco Grifoni, que também foi duramente danificado pelo abalo, a ponto de obrigar pacientes a deixar seus leitos em busca de um local seguro. 

Cultura. Antes de ser devastada pelo sismo, Amatrice se preparava para organizar a 50.ª edição de um festival dedicado ao prato mais tradicional e famoso da região – o espaguete com molho à amatriciana. 

O vilarejo também é considerado um ponto tradicional de peregrinação católica. O lugar era chamado de “a cidade das cem igrejas”, entre as quais se destacava a basílica de São Francisco, de estilo gótico, a poucos metros do palácio do governo regional, seriamente atingido pelo terremoto de ontem. / COM EFE

 

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