Isolado, Bush pede apoio a republicano

A distância, presidente invoca questão de segurança

Patrícia Campos Mello, SAINT-PAUL, EUA, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2008 | 00h00

SAINT-PAUL, EUAO presidente americano, George W. Bush, invocou ontem a segurança da nação e os ataques preventivos para declarar seu apoio ao candidato republicano, John McCain. "Precisamos de John McCain", disse Bush em discurso gravado na Casa Branca e transmitido via satélite para os delegados na Convenção Nacional Republicana e milhões de telespectadores. "Nós vivemos em um mundo perigoso e precisamos de um presidente que entenda as lições de 11 de setembro de 2001. Que entenda que, para proteger a América, precisamos nos manter na ofensiva, temos de impedir ataques antes de eles acontecerem, e não esperar sermos atacados de novo."A campanha de McCain tentou reduzir ao máximo a participação de Bush no evento. McCain tenta se distanciar do impopular presidente, que tem apenas 30% de aprovação. O discurso de Bush durou apenas 6 minutos. Assessores da campanha não escondiam o alívio pelo fato de Bush não discursar na segunda-feira,dia em que a programação foi cancelada por causa do furacão Gustav. Mas Bush ficou ressentido por não poder falar para os delegados republicanos pela última vez e a campanha teve de encaixar seu discurso. Questionado sobre o problema de ter de volta o discurso de Bush, Adam Mendelsohn, estrategista de McCain, respondeu: "McCain e Bush não são a mesma pessoa - e esta convenção diz respeito a McCain e não a Bush."A campanha do candidato democrata, Barack Obama, contra-atacou com um e-mail para os jornalistas, voltando a dizer que um governo McCain será uma continuação de Bush. "Hoje (ontem), de forma entusiasmada, Bush passou sua tocha para o homem que manterá nos próximos quatro anos seu legado - as políticas econômicas desastrosas, a política externa que não nos deixou mais seguros, e sua guerra equivocada no Iraque. Bush precisa de McCain, mas a América precisa da mudança de Obama", disse o diretor da campanha democrata, David Plouffe.Uma pesquisa divulgada ontem pelo instituto Gallup colocou pela primeira vez Obama com 50% das intenções de voto. McCain tem 42%.O presidente atacou Obama, mencionando de forma indireta sua inexperiência: "McCain está pronto para liderar esta nação." Bush enfatizou o caráter e a independência de McCain, tema que a campanha republicana vem tentando promover. "John é um homem independente, que não tem medo de dizer quando discorda de alguém. Ele é honesto e fala do coração." Bush também elogiou o voto de McCain e sua campanha pelo reforço no número de tropas no Iraque - política à qual é creditada a redução da violência no país. Enquanto muitos no Congresso se opuseram ao envio de mais soldados, "John McCain teve fé em nossas tropas e na importância de sua missão"."Alguns disseram que seu apoio ao envio de tropas poria em risco sua candidatura à presidência, mas ele afirmou que preferia perder uma eleição a ver seu país perder uma guerra", disse Bush. "É esse tipo de coragem e visão que precisamos em nosso próximos comandante-chefe", acrescentou.Além do presidente, os destaques da noite de ontem foram o ex-senador republicano Fred Thompson e o senador independente Joe Lieberman, ambos amigos de McCain.FRASESGeorge W. BushPresidente dos EUA"Vivemos em um mundo perigoso e precisamos de um presidente que entenda as lições de 11 de setembro de 2001. Que entenda que, para proteger a América, nós precisamos nos manter na ofensiva. Temos de impedir ataques antes de eles acontecerem, e não esperar sermos atacados de novo""John McCain está pronto para liderar esta nação"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.