Isolado, Chávez suspende projeto de gasoduto

Venezuelano culpa ?ataques? vindos de dentro da América do Sul por derrota política

Efe e Afp, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse ontem que o projeto para construir um gasoduto interligando sete países da América do Sul - o chamado Gasoduto do Sul - foi suspenso por falta de apoio político. "Houve ataques contra o projeto vindos de países sul-americanos. Por isso, agora ele esfriou", disse Chávez, sem especificar os responsáveis por esses ataques, durante discurso no Estado venezuelano de Carabobo transmitido por rádio e TV. "Não podemos fazer esse projeto sozinhos." O presidente venezuelano reclamou que apesar dos governos da região "manterem reuniões técnicas" e de ele ter tratado pessoalmente do tema do gasoduto com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Néstor Kirchner, da Argentina, e Evo Morales, da Bolívia, agora, quando contactados por representantes da Venezuela, os países parceiros "se recusam a estabelecer prazos". O Gasoduto do Sul teria 8 mil quilômetros de extensão. Ele partiria da Venezuela e passaria pelo Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Argentina e Equador, distribuindo cerca de 4,2 milhões de metros cúbicos de gás. Seu projeto, impulsionado pelo presidente venezuelano, foi estimado em US$ 20 bilhões, mas gerou ceticismo em muitos meios políticos e empresariais. Ontem, Chávez admitiu que não conseguiu entusiasmar os outros países da região. "Aqui (na Venezuela) há gás para um século", disse o presidente venezuelano. "Mas nós não podemos obrigar ninguém a fazer o gasoduto." Em abril, durante a Primeira Cúpula Energética sul-americana, na Ilha Margarita, a Venezuela buscou, sem êxito, obter um consenso sobre o tema do gasoduto e a criação de una organização de exportadores de gás. Antes mesmo de sentar para discutir o tema, o governo brasileiro não escondia seu interesse exclusivo no primeiro trecho do duto, que cruzaria a Floresta Amazônica e o sertão nordestino para levar gás de Mariscal Sucre (Venezuela) até Recife (PE). Na ocasião, o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, disse que o projeto ainda estava em fase de "estudos preliminares",e o chanceler Celso Amorin afirmou que não tinha "cabimento" defender uma OPEP do gás. O reconhecimento das dificuldades para construir o gasoduto é mais uma derrota política para Chávez na América Latina. As dificuldades para aderir ao Mercosul e as críticas feitas pelos Legislativos de diversos países ao venezuelano por sua decisão de fechar a emissora opositora RTVC também estão atrapalhando os planos de Chávez para integrar a região.

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