Doug Mills / EFE
Doug Mills / EFE

Isolamento não funcionou, diz Obama ao reatar com Cuba

Segundo o presidente, os Estados Unidos decidiram 'romper as correntes com passado para buscar futuro melhor para os cubanos'

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON

17 de dezembro de 2014 | 16h12


WASHINGTON -  O presidente Barack Obama disse hoje que os Estados Unidos e Cuba devem deixar para trás a herança do colonialismo, do comunismo e da Guerra Fria e iniciar um novo capítulo em suas relações. O presidente cubano, Raúl Castro, elogiou a aproximação e voltou a pedir o fim do embargo.

"Hoje a América escolheu romper as correntes com o passado para buscar um melhor futuro para o povo cubano, para o povo americano, para todo o hemisfério e para o mundo", afirmou, ao anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas com a ilha.    

Segundo Obama, a política de isolamento adotada pelos EUA há mais de cinco décadas não promoveu as reformas democráticas buscadas por Washington. "Cuba ainda é governada pelos Castro e o Partido Comunista que chegou ao poder meio século atrás."

O presidente lembrou que os EUA restabeleceram relações com outros antigos adversários na Guerra Fria, como China e o Vietnã. Mas ele ressaltou que não tem ilusões sobre reformas democráticas em Cuba e que as mudanças anunciadas hoje não trarão mudanças "da noite para o dia". 

Como parte da negociação com os EUA, Cuba concordou em libertar 53 presos políticos e aumentar o acesso à internet. Obama disse que os Estados Unidos continuarão a pressionar o país pela adoção de reformas democráticas. 

Falando diretamente aos cubanos, ele reconheceu que muitos veem os EUA como um antigo colonizador. "Não podemos apagar a história entre nós", observou. "Os cubanos tem uma frase sobre a vida diária: no es fácil. Hoje os Estados Unidos querem ser um parceiro para fazer a vida dos cubanos comuns um mais fácil, mais livre, mais próspera."

Obama falou que os dois países têm uma história "complicada", que se desenrolou tendo como pano de fundo a Guerra Fria. "Eu nasci em 1961, pouco mais de over dois anos depois de Fidel Castro tomar o poder em Cuba e poucos meses depois da invasão da Baía dos Porcos, que tentou derrubar o regime." 

No decorrer dos anos, disse, foi erguida uma barreira ideológica e econômica entre os dois países, que são separado por apenas 150 km. "A mudança é ainda mais difícil quando carregamos o peso da história em nossos ombros."

Obama elogiou a comunidade de exilados cubanos que moram no país, especialmente em Miami, na qual existe resistência à adoção de políticas favoráveis ao governo de Havana. "Os cubanos ajudaram a refazer a América. Tudo isso ligou americanos e cubanos em uma relação única."

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