'Isolar o Irã é impossível', diz Ahmadinejad

As principais potências do mundo não conseguirão isolar o Irã, afirmou hoje o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad. "Eles precisam de nós mais do que nós precisamos deles. Trata-se de uma guerra psicológica. Isolar o Irã é impossível", disse em entrevista ao vivo na TV local. Sem mencionar diretamente a pressão internacional em torno do programa nuclear iraniano, Ahmadinejad qualificou como "ridículas" as ameaças dos países ocidentais.

AE-AP, Agencia Estado

01 de dezembro de 2009 | 18h14

Irritadas com os planos iranianos de construir dez novas unidades de enriquecimento de urânio, as principais potências do mundo advertiram que o Irã poderia ser alvo de uma quarta rodada de sanções. Nos últimos anos, o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou três rodadas de sanções contra o Irã por causa de suas atividades de enriquecimento de urânio.

Este processo é essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas. Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

Sem apoio da Rússia

A Rússia não vai bloquear novas sanções, caso a comunidade internacional decida dar esta resposta aos novos planos de enriquecimento de urânio de Teerã, disse hoje um diplomata russo que pediu anonimato. "Não planejamos continuar isolados se houver consenso sobre as sanções", afirmou o diplomata. "Precisamos manter esta opção em mente e considerar o fato das sanções", disse.

Ele ressaltou, porém, que Moscou "prefere" não aplicar sanções, pois estas medidas provocam impacto sobre os países que têm laços comerciais com o Irã. A Rússia é o país entre os grandes poderes mundiais que tem os laços mais fortes com o Irã. Sua capacidade de dar ajuda técnica para o programa nuclear iraniano é vista por alguns analistas como capaz de dar uma vantagem incomparável ao país islâmico.

A Rússia, que por muito tempo se opôs ao aumento da pressão contra o Irã, já uniu forças com outros poderes globais para aprovar uma resolução censurando o Irã na reunião na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na sexta-feira. O Brasil se absteve de votar. Com informações da Dow Jones.

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