Israel: 1/3 de mortos não estava envolvida em conflito

Violência se intensifica nos últimos dias e eleva pressão internacional por um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

BBC Brasil, BBC

19 de novembro de 2012 | 09h54

No sexto dia de bombardeios de Israel contra a Faixa de Gaza, e com o total de mortos se aproximando de cem, o Exército israelense afirmou nesta segunda-feira que trinta e três porcento dos mortos não estavam envolvidos no conflito.

Ao menos 18 pessoas foram mortas nos ataques nesta segunda-feira, elevando a 95 os palestinos mortos na atual onda de confrontos entre Israel e o Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza. Um míssil palestino matou 3 israelenses na quinta-feira.

O número de mortos aumentou nos últimos dias, com mais de 50 vítimas, segundo autoridades palestinas. No domingo, 12 pessoas de uma mesma família, incluindo quatro crianças, foram mortas em um ataque israelense que destruiu uma casa de dois andares em Gaza.

O Exército israelense afirmou nesta segunda-feira que outros nove palestinos foram mortos acidentalmente em um ataque que visava um comandante do Hamas responsável pelo programa de foguetes do grupo.

Segundo as autoridades militares israelenses, o incidente está sendo investigado.

Foguetes interceptados

O Exército israelense afirmou ter atacado 80 locais durante a madrugada deste domingo, incluindo casas de militantes do Hamas, depósitos de armamentos e delegacias de polícia, elevando a 1.350 o total de locais bombardeados desde quarta-feira. Fontes palestinas afirmaram que 18 pessoas morreram na última onda de ataques.

Houve também disparos esporádicos de Gaza em direção ao território israelense, mas não há relatos de danos materiais ou vítimas.

Segundo o Exército de Israel, centenas de foguetes foram disparados pelos militantes palestinos nos últimos dias em direção ao território israelense, e cerca de um terço deles foi interceptado pelo sistema israelense de defesa antimísseis.

A violência na região se intensificou na quarta-feira, após a morte do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, em um ataque aéreo israelense.

Israel afirma que a morte de Jabari e o bombardeio a Gaza são respostas aos disparos de foguetes por militantes palestinos contra seu território.

Na quinta-feira, um míssil disparado de Gaza atingiu um edifício na cidade de Kiriat Malachi, no sul de Israel, matando três israelenses.

Pressão

A intensificação dos bombardeios israelenses no fim de semana aumenta a pressão internacional por um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou sua ida ao Cairo, no Egito, para participar de negociações lideradas pelo governo egípcio para um possível acordo.

Na noite do domingo, Ban pediu que os dois lados interrompam imediatamente a violência.

O premiê israelense, Biniyamin Netanyahu, afirmou no domingo que Israel estava pronto para "expandir" a operação em Gaza.

Israel aprovou no fim de semana a convocação de até 75 mil reservistas, aumentando os rumores sobre uma possível invasão terrestre a Gaza. Até esta segunda-feira, 31 mil reservistas já haviam sido efetivamente convocados - quase o triplo do número de reservistas incorporados ao Exército durante o conflito de 2008-2009, quando o Exército israelense invadiu a Faixa de Gaza.

O presidente do Egito, Mohammed Mursi, afirmou que uma eventual invasão israelense a Gaza teria "repercussões graves" e afirmou que isso não seria aceito pelo Egito "nem pelo mundo livre".

A Liga Árabe, que realizou uma reunião de emergência no domingo para discutir a violência na região, anunciou o envio de uma delegação ao território palestino nesta terça-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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