Israel aceita ampliar trégua; Obama defende fim do isolamento de Gaza

O governo israelense anunciou ontem sua intenção de estender a trégua de 72 horas no conflito com o Hamas, em vigor desde a manhã de terça-feira. Mas o Hamas afirmou que nada foi discutido nesse sentido nas negociações indiretas que ocorrem no Cairo, com mediação de autoridades egípcias.

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL, RAFAH, FAIXA DE GAZA, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 02h01

Pouco depois, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Gaza "não pode satisfazer suas necessidades estando isolada do mundo". "Não tenho nenhuma simpatia pelo Hamas, mas tenho pelas pessoas comuns, que sofrem em Gaza, afirmou Obama, na mais firme declaração até agora do presidente americano em favor de um alívio do bloqueio ao território.

Obama defendeu ainda que a abertura de Gaza é a uma maneira de acabar com a crise no território palestino. "Existem fórmulas à disposição (para aliviar o bloqueio), embora sejam complicadas", disse o presidente.

As declarações de Obama são curiosamente parecidas com a posição do Hamas, que está relutante em aceitar um cessar-fogo permanente sem que ocorra o fim do bloqueio israelense e egípcio a Gaza.

Um funcionário de Israel disse que o país está disposto a "estender a trégua nos termos atuais", informou a agência Reuters. Em princípio, a trégua dura até as 8 horas de amanhã, hora local (2 horas em Brasília). Mas Mussa Abu Marzuk, um representante do Hamas no Cairo, disse que "não há acordo para prolongar o cessar-fogo".

"Só concordaremos com um cessar-fogo duradouro se o bloqueio acabar", disse ao Estado Mustafa Barghuti, membro do Conselho Legislativo Palestino e líder do Partido Terceira Via, que ficou em segundo lugar na última eleição presidencial da Autoridade Palestina, em 2005.

"Veja a nossa situação", disse Barghuti, que vive em Ramallah, na Cisjordânia, onde preside a Associação Palestina de Assistência Médica. "Para vir para cá, pegamos um ônibus de Ramallah a Amã, um avião de Amã ao Cairo e um ônibus do Cairo para Rafah. Levamos 24 horas quando deveria demorar 1 hora." Se pudesse atravessar Israel, a distância entre Ramallah e Gaza é de apenas 84 km.

"Estender a calma de 72 horas para mais um período não foi discutido", disse Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas. Além do fim do bloqueio, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, braço armado do Hamas, exigem também a libertação de presos palestinos em Israel. Um representante do grupo ameaçou abandonar as negociações se as reivindicações não fossem atendidas.

O governo israelense quer que o Hamas se desarme antes de considerar a exigência de reabertura das fronteiras com Israel e o Egito - que impuseram o bloqueio em 2007 depois que o grupo tomou o controle de Gaza. O Egito, por sua vez, rejeita abrir totalmente sua fronteira enquanto o Hamas, e não a Autoridade Palestina, continuar controlando o posto fronteiriço.

O premiê Binyamin Netanyahu defendeu ontem os intensos bombardeios contra a Faixa de Gaza, dizendo que, apesar do elevado número de civis mortos, a ofensiva foi "justificada" e "uma resposta proporcional" aos ataques do Hamas.

Após um mês de ofensiva, lançada para destruir baterias de foguetes e túneis do Hamas, as tropas terrestres se retiraram da Faixa de Gaza na terça-feira e se reagruparam do lado israelense. Cerca de 1.900 palestinos foram mortos - 75% civis, segundo a ONU, desde o início dos bombardeios. Do lado israelense, foram mortos 64 soldados e 3 civis.

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