Israel aceita negociar fronteira pré-1967 com palestinos, diz TV

Em troca, israelenses querem que ANP desista de reconhecimento de Estado peranta a ONU

Agência Estado

01 de agosto de 2011 | 16h53

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, teria aceitado negociar a criação de um Estado palestino com base nas linhas de cessar-fogo anteriores a 1967, que marcam a fronteira da Cisjordânia, afirmou nesta segunda-feira, 1º, uma emissora de televisão israelense. Uma fonte no alto escalão do governo disse à Associated Press que não negaria as declarações do premiê.

 

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Até agora, Netanyahu vinha recusando-se a aceitar a fórmula e insistia em que Israel não se retiraria das áreas da Cisjordânia ocupadas a partir de 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. A Associated Press, porém, não identifica a emissora de televisão à qual atribui a informação.

 

De acordo com a emissora citada, Netanyahu aceitaria usar as linhas de cessar-fogo como base para um acordo de fronteira, mas a intenção seria trocar territórios com os palestinos com o objetivo de manter no "lado israelense" os principais assentamentos judaicos, em linha com uma proposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

 

A fonte no alto escalão do governo pediu anonimato porque os contatos com os palestinos ainda estão em andamento. De acordo com essa fonte, Netanyahu insiste em que os palestinos reconheçam o caráter judaico de Israel.

 

O jornal britânico Daily Telegraph entrou em contato com uma fonte do governo israelense que disse que a oferta dependeria da disposição dos palestinos em desistir de sua campanha pelo reconhecimento de seu Estado na ONU em setembro. "Nós queremos restabelecer as conversas de paz para aceitar uma proposta que tem elementos de difícil aceitação para Israel", disse. A Autoridade Nacional Palestina disse não ter recebido nenhuma proposta.

 

Israel define-se como a pátria do povo judeu desde sua fundação, em 1948. Os palestinos, por sua vez, recusam-se a aceitar Israel como Estado judeu, pois isso significaria que os refugiados palestinos que perderam suas casas depois da criação de Israel não teriam o direito de retornar. Israel recusa-se a aceitar o retorno dos palestinos que foram expulsos ou fugiram de sua terra durante a guerra que culminou na criação do Estado judeu por temer que a população árabe supere numericamente a judaica.

 

Especialistas dizem que as conversas sobre a criação do Estado palestino depende da negociação da paz entre as duas partes. O diálogo, porém, está estagnado há quase um ano e as tentativas de retomá-lo foram feitas em vão. As informações são da Associated Press.

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